Misael Nascimento

Somente Pela Graça

Cor meum tibi offero, Domini. Prompte et sincere

Os sonhos de Deus jamais vão morrer (conclusão)

Data:   março 16th, 2010

Arquivado em: Estudos bíblicos, Teologia.

Convido você a refletir sobre a questão da licença poética da adoração, especificamente quando aos ditos “sonhos de Deus”. Pergunto: Até que ponto devemos ser doutrinariamente exigentes quando cantamos louvores? Não seria exagerado impedir os cristãos de entoar canções por eles apreciadas e que falam sobre os sonhos de Deus para conosco, ou do interesse divino em restaurar nossos sonhos? Seria possível — e desejável — sistematizar linguística e teologicamente o amor demonstrado no ato de adoração? Se ao “louvar” com tais músicas nós nos sentimos bem, se somos animados e motivados para a caminhada cristã, qual é o problema de utilizá-las? Mais: se música é Poesia, por que escravizá-la à Teologia?

Como pastor interessado em liturgia, tenho ouvido tais perguntas ao longo dos anos e respeito profundamente aqueles que as formulam, pois sei que, em sua maioria, são discípulos de Jesus que desejam sinceramente adorar a Deus. Sou obrigado, no entanto, a declarar como falsa a antítese entre adoração e doutrinação, uma vez que, no culto autêntico, unem-se “espírito” e “verdade” (Jo 4.24). Usando uma linguagem apostólica, “hinos e cânticos espirituais” são modos de expressão da “palavra de Cristo” que deve habitar ricamente em nós (Cl 3.16). A linguagem do amor, mesmo em sua mais sublime expressão poética e devocional, precisa publicar a sã doutrina. Considerando os dois mandamentos, não há diferença significativa entre quem se prostra diante de uma imagem esculpida em madeira e quem canta uma música com erros doutrinários; em ambos os casos, cultua-se um arremedo de Deus e seu evangelho; trata-se de adoração de acordo com os enganos de nossa imaginação; não segundo a Escritura.

Canções teologicamente corretas não denotam preciosismo xiita, mas amor que se importa em articular-se com o máximo de precisão, por respeito ao amado e, ao mesmo tempo, por um interesse em conhecê-lo mais e mais, como ele, de fato, é. Ademais, de que adianta sairmos de um “período de louvor” animados, se a fonte de tal motivação for um erro, uma crença discrepante com a infalível revelação divina? Podemos ser uma geração muitíssimo religiosa e ao mesmo tempo distante de Deus. Mais: no culto, tudo se submete à Bíblia: a Administração; a Arquitetura, a Retórica, a Música e a Poesia. Não se trata de servilismo das esferas da criação à Teologia, mas do funcionamento de cada uma delas perante Deus, segundo a Palavra, para glória do Altíssimo.

O que isso significa, na prática? Primar por um culto que agrade ao Senhor, ou seja, um culto bíblico. Menos do que isso é complacência que, ainda que bem-intencionada, não honra devidamente ao Todo-Poderoso. Nas canções entoadas na adoração, a licença poética deve ser sempre limitada pela exatidão doutrinária.

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Uma Resposta para "Os sonhos de Deus jamais vão morrer (conclusão)"

  1. Ótimo encerramento para esta série de estudos, foi algo que me abençoou muito, graças a Deus por isso.

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    “Na maior parte dos casos, um homem tanto mais gesticula e dramatiza em defesa de suas opiniões quanto menos está seguro delas por dentro, por não as haver examinado bem.”  por Olavo de Carvalho Como Vencer Um Debate Sem Precisar Ter Razão, p. 17-18.

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