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Depois das primeiras semanas após minha mudança para São José do Rio Preto, diminuindo para duas a quantidade de caixas a serem abertas em minha biblioteca e, finalmente, colocando o mínimo de ordem em meu fluxo de trabalho, dedico algumas linhas para falar sobre Avatar, filme dirigido por James Cameron que tem ultrapassado marcas históricas de bilheteria.
Avatar leva a construção de uma realidade por meios digitais ao seu ápice. Se até aqui tínhamos os recursos tecnológicos como suporte à produção, em Avatar eles estão no centro de todo o processo. A experiência é, de fato, de completa imersão em Pandora, algo que é testemunhado não apenas pelos expectadores, mas também pelo próprio elenco do filme.
Se nesse ponto estamos diante de algo inovador, em outro aspecto, somos apresentados a uma antiga doutrina pagã. Parece que Avatar propõe como discurso central, simplista, ao meu ver, que somos responsáveis por utilizar adequadamente os recursos naturais. Porém, ele vai além ao apresentar Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três gigantes gasosos fictícios orbitando Alpha Centauri, como organismo vivo dotado de consciência. Pandora não é criação; trata-se de um ambiente rico que oferece conexão multiforme (tudo o que é vivo possui um dispositivo físico que funciona como um “hub” que permite uma mútua ligação umbilical). Ademais, Pandora é sagrada; possui transcendentalidade que pode ser acessada através de rituais mágicos. O quadro idílico oferecido por Cameron, sob esta ótica, nada mais é do que um retorno ao panteísmo e animismo — como eu disse no início deste parágrafo, o recrusdecimento do paganismo pré-cristão.
O fato, em termos de mídia, já envelheceu. Na época eu estava às voltas com as pastorais sobre o amor de Deus e não tive como abordar a questão. Hoje, com algumas semanas de atraso, refiro-me ao evento ocorrido em Santo André, que finalizou com a morte da adolescente Eloá Cristina Pimentel.
Chamo a atenção, especificamente, para um detalhe da psicologia do jovem Lindembergue Alves, sua dificuldade em lidar com frustrações. Trata-se de algo inerente a todos nós e que se torna cada vez mais destacado na cultura ocidental. Até tempos atrás, ainda que todos admitíssemos ser tomados, vez por outra, de arroubos de indignação e até inveja diante das perdas, agora a situação ganha contornos apocalípticos. Disputam espaço duas gerações para quem o “não” é traumático e existencialmente fulminante. “Eu quero isso e pronto!” Eis o argumento que define a parada. “Se eu não for satisfeito farei um estrago”. Assustadoramente simples.
Deus nos educa dizendo-nos “não” (Êx 20.1-17). Para nosso benefício ele não faz as nossas vontades. Ele nos humilha para que saibamos que não somos deuses e nos priva da satisfação escancarada de nossos apetites para que aprendamos a ter prazer somente nele. Somos por ele revestidos e dele recebemos domínio próprio e longanimidade.
O objetivo divino é que, assentada a poeira da tribulação, escorrida a seiva da frustração, permaneçamos doces. Difícil? Isso é maturidade. Sofremos como personagens de música sertaneja e depois nos colocamos de pé, consolados pelo Espírito. Aprendemos que viver é perder com louvor no coração, ainda que doído.
Ademais, por meio de Cristo podemos lidar com aqueles que nos decepcionaram, os arquitetos de nossas perdas e suposta humilhação, olhando-os nos olhos, respeitando-os, entregando-os aos cuidados de Deus e amando-os nos termos da Escritura.
Lindembergue foi às últimas conseqüências de seu desejo: Possuir ou destruir. Não se trata de amor a Eloá, mas de obsessão doentia por si próprio, que usa o outro como objeto cujo bem-estar nem sequer é considerado. “O que importa é o que eu quero”. Estamos prontos a perder para que o outro ganhe? Nas palavras do Cântico dos cânticos o amor não pode ser comprado ou forçado (Ct 8.7).
A opção de quem não sabe lidar com a frustração é a violência explícita ou tácita. Truculência no trato “educado” ou demonstrações visíveis de descontentamento; um salto no abismo do desespero que leva à autodestruição enquanto é reclamado um “direito”; absurdo dos absurdos. Por detrás do humano um animal — o pecador desfigurado e transtornado — que rosna furioso porque perdeu.
A raiva da perda pode ser eliminada pelo tratamento do Espírito. Os passos são regeneração, conversão e busca de mudança espiritual, pela Palavra, no poder do Consolador. Outras situações exigirão cuidados clínicos. Somos frágeis também na mente e emoções e não é vergonhoso pedirmos ajuda. Um cristão que se consulta com um psicólogo ou psiquiatra não é menos espiritual do que quem é ajudado por um fisioterapeuta ou cardiologista. É melhor providenciar a solução enquanto há tempo, antes que se percam outras Eloás.

Assistindo ao filme O Conclave, dirigido por Christoph Schrewe e escrito por Paul Donovan, senti-me desejoso de escrever algo sobre as chamadas políticas eclesiásticas.
Um conclave é uma reunião de cardeais, convocada com a finalidade de nomear um novo Papa para a Igreja Católica Romana. A obra retrata o primeiro conclave de Rodrigo Borgia, o licencioso cardeal e vice-chanceler da Igreja que algumas décadas depois se tornaria o Papa Alexandre VI. A produção é digna de nota, notadamente a exposição dos bastidores da política eclesiástica dos tempos medievais.
Os cristãos sinceros acompanharão as cenas com um misto de desapontamento e asco. Nesses termos, parece-me que o filme tem algo a dizer não apenas sobre a Igreja Romanista, mas sobre o Cristianismo em geral, em todos os seus segmentos denominacionais. A Igreja como um todo é convocada a repensar em que medida suas políticas expressam o exemplo e ensino de Jesus Cristo. Os que exercem cargos são desafiados a verificar suas motivações e atuações no cenário da administração dos assuntos eclesiásticos.

Desde dezembro de 2005, os brasileiros puderam mergulhar no universo gelado de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, filme produzido pelos Estúdios Disney e Walden Media e dirigido por Andrew Adamsom. A película é baseada no livro de mesmo nome escrito por Clive Staples Lewis, autor irlandês reconhecido como um importante apologista cristão.
O enredo é simples: Durante a Segunda Guerra Mundial, Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia vão morar na casa de um professor, longe de Londres, a fim de fugir dos bombardeios. Na casa encontram um guarda-roupa que dá acesso ao mundo de Nárnia, uma terra gelada dominada por Jadis, a Feiticeira Branca.