O universo vivo de Avatar
04/02/2010 | Por Misael![]()
Depois das primeiras semanas após minha mudança para São José do Rio Preto, diminuindo para duas a quantidade de caixas a serem abertas em minha biblioteca e, finalmente, colocando o mínimo de ordem em meu fluxo de trabalho, dedico algumas linhas para falar sobre Avatar, filme dirigido por James Cameron que tem ultrapassado marcas históricas de bilheteria.
Avatar leva a construção de uma realidade por meios digitais ao seu ápice. Se até aqui tínhamos os recursos tecnológicos como suporte à produção, em Avatar eles estão no centro de todo o processo. A experiência é, de fato, de completa imersão em Pandora, algo que é testemunhado não apenas pelos expectadores, mas também pelo próprio elenco do filme.
Se nesse ponto estamos diante de algo inovador, em outro aspecto, somos apresentados a uma antiga doutrina pagã. Parece que Avatar propõe como discurso central, simplista, ao meu ver, que somos responsáveis por utilizar adequadamente os recursos naturais. Porém, ele vai além ao apresentar Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três gigantes gasosos fictícios orbitando Alpha Centauri, como organismo vivo dotado de consciência. Pandora não é criação; trata-se de um ambiente rico que oferece conexão multiforme (tudo o que é vivo possui um dispositivo físico que funciona como um “hub” que permite uma mútua ligação umbilical). Ademais, Pandora é sagrada; possui transcendentalidade que pode ser acessada através de rituais mágicos. O quadro idílico oferecido por Cameron, sob esta ótica, nada mais é do que um retorno ao panteísmo e animismo — como eu disse no início deste parágrafo, o recrusdecimento do paganismo pré-cristão.
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