Mais de um mês sem postar. Estou mergulhado na preparação de materiais para treinamento na igreja, sobre adoração e classe de novos membros. Orem por mim, pra que eu escreva segundo a vontade de Deus, e para que eu termine rápido…
A todos, paz.
O título deste post não contém nenhum erro de digitação. Em determinadas situações, confesso que considero mais fácil amar ao “próximo” distante do que o próximo mais achegado, especialmente os familiares. Cuidar das feridas, vestir e pagar a hospedagem de um estranho samaritano parece-me uma tarefa mais exequível do que fazer o mesmo por alguém com quem compartilho laços de sangue.
Digo isso no contexto de acertos familiares relacionados ao inventário de minha mãe. Fui criado em um lar no qual há enormes dificuldades de diálogo. Cada fala exige extremada ponderação e tem o potencial de criar rancores homéricos. Ao articular uma ideia com clareza e sinceridade, corre-se risco de estabelecer uma ruptura dolorosa e de longa duração.
Amar ao próximo distante, pelo menos pra mim, é menos complicado do que amar ao próximo próximo.
A questão é que Deus nos convoca a vivenciar a aliança, primeiramente, na família, e consta neste pacto a prática da humildade e do amor. A primeira subjuga as tendências egoístas do coração; o último formata adequadamente o trato. Sendo assim, cada interação torna-se oportunidade de externalizar a doutrina de salvação: Deus amou ao ponto de dar seu Filho. É nesses termos que amo de coração aos meus irmãos e sobrinhos. Eles são minha família, os próximos próximos a quem eu devo amar antes de amar aos próximos distantes.
É a primeira vez em minha vida que passo o Natal em um “acampamento”. De volta a Brasília para conduzir o fechamento do ano eclesiástico da IPCG, hospedo-me na casa pastoral equipada com a mobília que será utilizada pela Carol: um refrigerador, uma mesa, dois bancos de madeira, um conjunto estofado, uma TV, uma cama de casal e um colchão de solteiro. Para cozinhar, um fogareiro elétrico. Nenhuma decoração de Natal e o coração, ao invés de festivo, triste, pois é o primeiro Natal sem mamãe (a foto a seguir foi tirada no dia 24/12/2008).

O Consolador me ajuda a lembrar de Jesus, nascendo há cerca de dois mil anos atrás, em um lugar muito mais simples do que o meu. A chegada daquela criança em Belém confirmou promessas de um amor eterno: Deus nos conhece por nome e se interessa por nós ao ponto de enviar seu Filho para nos salvar. Ainda que não haja uma árvore ou motivos “natalinos” em meu “acampamento de transição”, o Redentor está presente. Louvado seja seu nome por isso!

Mais, tenho ao meu lado a Mirian e as meninas, e sou agraciado por ter meu irmão Iran, minhas irmãs Estelina, Lourdes e Jô e meu sobrinho André, além de outros também queridos sobrinhos e sobrinhas, primos e primas, Dona Romilce, sogra amada, minhas cunhadas e cunhados, alguns próximos e outros distantes, mas cada um deles precioso presente de Deus. Nos últimos dias tenho recebido e-mails, mensagens SMS, visitas e telefonemas abençoadores de amigos, irmãos e irmãs em Cristo.
2009 foi, talvez, o meu ano mais difícil. Eu não conseguiria ter chegado até aqui sem Deus e sem os familiares e irmãos e amigos. A todos o meu muito obrigado e desejos de um ótimo Natal.
Gosto de jabuticabas. Há poucos dias tive o privilégio de deliciar-me com várias delas, fresquinhas, colhendo-as diretamente do pé. O método de colheita e limpeza foram os melhores do mundo: eu retirava as frutas com a mão (quanto maiores e mais maduras, melhor!), esfregava cada uma delas na camiseta e “mandava pra dentro”. Ê delícia! Enquanto desfrutava daquela doçura e conversava com o dono da chácara que me hospedava, contemplei o tronco da jabuticabeira repleto de calosidades — sinais de abundante frutificação — pensei.