Misael Nascimento

Somente Pela Graça

Cor meum tibi offero, Domini. Prompte et sincere

Coragem, pois e sê homem!

Data:   08/08/2010

Arquivado em: santidade prática.

[1] Aproximando-se os dias da morte de Davi, deu ele ordens a Salomão, seu filho, dizendo: [2] Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Coragem, pois, e sê homem! (1Reis 2.1-2).

Introdução

Eu não poderia iniciar esta meditação sem mencionar a figura de João Batista do Nascimento, carpinteiro naval nascido em 1902, crente chamado à presença de Deus no mês em que completaria 97 anos de idade. Homem cuja vida foi exemplo do poder restaurador da graça divina. Louvo a Deus por aquela pessoa simples que me ensinou sobre humanidade, política, cultura geral, pescaria, simplicidade, humildade, arrependimento, fé, cultura bíblica, oração, vida familiar e, sobretudo, sobre amor — meu pai, que espero encontrar na glória celestial.

Davi chamou Salomão a fim de transmitir-lhe as instruções finais, antes de morrer. Ele sabia que seu filho não era, pelo menos até aquele momento, do tipo que se impunha (o capítulo 1 de 1Reis mostra que o irmão de Salomão, Adonias, parecia ser muito mais “proativo” do que seu irmão mais novo). Salomão seria o novo rei e teria de tomar decisões difíceis e assumir responsabilidades pesadas. A ele caberia executar diversas sentenças de Davi e empreender a construção do templo — consolidando a vida religiosa da nação — e a expansão do reino.

Naquele contexto Davi recomendou ao herdeiro do trono: “Coragem, pois, e sê homem!” Tais palavras, ditas àquele que seria o líder da nação de Israel, são perfeitamente aplicáveis aos pais de modo geral. Ser pai não é tarefa simples, daí a pertinência destas duas instruções:

I. Pais devem ser corajosos

[...] Coragem, pois, e sê homem!

A palavra traduzida como “coragem” tem o sentido de exercer força. Por isso a Nova Versão Internacional traz “seja forte”. A cultura contemporânea nos empurra a ideia do homem como sexo frágil. Uma das razões para isso, creio eu, é o próprio perfil da atual geração adulta. Muitos dos atuais adultos são filhos de pais separados. Os meninos cresceram, na maioria das vezes, criados apenas pelas mães e, portanto, não tiveram, em casa, modelos bíblicos de masculinidade. Algumas destas mães, verdadeiras lutadoras, tiveram de ser “pães” — pais e mães ao mesmo tempo. Mesmo sem querer, ajudaram a estabelecer, na mente de seus filhos homens, um padrão de dependência das mulheres. Tais filhos cresceram sendo em tudo protegidos e supridos por suas mães, e não aprenderam a ser homens corajosos e fortes.

Aliados a este novo perfil da família ocidental, temos a distorção do conceito de força. Lemos sobre o legado de sangue deixado pelos ditadores e assistimos nos noticiários os relatos sobre o abuso da força: maus tratos, assédio moral e violação física e psicológica. Daí passamos a considerar todo o uso de força como errado. Nos esquecemos, por exemplo, de que nosso Deus é forte:

Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água (Sl 63.1).

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Is 9.6).

Sendo assim, não há oposição necessária entre força e gentileza. Como firmou Ralph W. Sockman:

Nada é tão forte como a gentileza, e nada é tão gentil como a verdadeira força.

A manutenção do bem-estar da família requer isso. Ontem fomos lembrados do papel do marido e vimos que ele provê, protege e assegura sua esposa e filhos no amor. Para cuidar dos seus, os pais enfrentam estresse fortíssimo, “engolem sapos”, abrem mão da satisfação de seus próprios desejos e interesses e, como Cristo, entregam suas vidas. Não é sem razão que, como nos informam as estatísticas, no geral, homens morrem mais cedo do que mulheres. A carga é pesada e exige ombros fortes. Os desafios são assustadores, por isso temos de acatar esta palavra dita por Davi: “Coragem [...]!”.

II. Pais devem ser homens

[...] Coragem, pois, e sê homem!

A recomendação de Davi prossegue com “sê homem!”. O texto não fala de humanidade de forma ampla, algo como “Salomão, seja um rei humano”. O foco é a macheza ou virilidade. Os nordestinos leriam isso assim: “sê cabra macho!”. Sei que isso ressoa estranho nos ouvidos atuais, acostumados à feminilização do homem. Há homens que temem deixar um porta-retratos 10 cm fora do lugar. Suas esposas simplesmente despejarão ondas de fúria caso o esposo quebre uma pequena regra de organização doméstica. Ai de tais maridos se tiverem de dizer à mulher que os gastos deverão ser reduzidos em 20% nos próximos três meses, considerando a necessidade de pagar os compromissos do período. Alguns serão manipulados e forçados a ceder aos caprichos de suas “amadas”. Tais esposos são muito mais semelhantes a cães domesticados do que a verdadeiros homens. Outros tremem só de pensar em dizer “não” ou em corrigir um filho. Tais indivíduos confundem amor incondicional e provedor com trato meloso e frouxo. Ao invés de educarem filhos “na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6.4), formam uma descendência indulgente e petulante.

Louvo a Deus pela vida do Presb. Gandolfi que, ontem, nos ensinou que “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5.2). Fomos lembrados que o marido, como Cristo, deve entregar-se primeiramente a Deus, em favor da família. Isso implica em liderar a família fazendo o que Deus quer. Como aprendemos ontem, borboletas precisam de companheiros fortes. A atual geração de maridos-borboletas precisa tornar-se maridos-búfalos, ainda que gentis, nos termos de Ralph W. Sockman.

Isso exige o revestimento do Espírito Santo. O exemplo maior é o Senhor Jesus Cristo, que equilibrava “Espírito de conselho e de fortaleza” (Is 11.2), ou seja, a capacidade de tomar sábias decisões e a força para implementá-las. Nós, pais, temos de ser, como nosso Redentor, cheios do Espírito de Deus.

Concluindo…

Nós, pais, devemos suplicar a Deus que nos faça corajosos e espiritualmente másculos. Sejamos homens conforme o coração divino. Caminhemos com nossa esposas e filhos nos termos da Palavra de Deus. Nós podemos louvá-lo porque ele nos ajuda nisso. Como afirma a Sagrada Escritura, “Deus é a minha fortaleza e a minha força e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho” (2Sm 22.33). Deus, que é a nossa fortaleza, nos ajuda a sermos fortes ao ponto de a ele servirmos como melhores pais e esposos. Amém.

Devocional na IPB Rio Preto em 08/08/2010 (Dia dos Pais), às 9h.

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O crescimento numérico é marca da igreja?

Data:   02/08/2010

Arquivado em: Igreja.

Até pouco tempo atrás ensinava-se, pelo menos nos círculos calvinistas, que a verdadeira igreja apresenta três marcas, quais seja, pregação fiel do evangelho, administração correta dos sacramentos e prática da disciplina. A estas devem ser acrescentadas, dizem os novos profetas, o crescimento numérico.

Utiliza-se uma linguagem sofisticada: relevância e contextualização metodológica. Não há nada de errado nestas palavras, mas no modo como são usadas a fim de abalizar novos modelos de ministério com menos pregação, abandono de padrões litúrgicos, ratificação do princípio de homogeneidade sociológica e a ideia do investimento prioritário na implantação de mega-igrejas.

Os pastores devem cuidar dos rebanhos com amor paciente, reconhecendo que o crescimento numérico é produzido por Deus (1Pe 5.1-4; 1Co 3.6-9). Calvino teve uma paixão intensa pela conversão da França à fé reformada. Em 1553, ele começou a enviar missionários para aquele país. Muitos daqueles missionários foram à Genebra como refugiados, enquanto a perseguição avançava. Logo depois de treinados em teologia, moral e pregação, eram enviados de volta para plantar igrejas na França. Estes esforços de Calvino tiveram um tremendo sucesso. Em 1555, existiam cinco igrejas reformadas na França. Em 1559, haviam quase 1000. Em 1562, o número chegou a 2150. Mesmo assim, Calvino nunca afirmou que o crescimento numérico é uma marca da igreja.

Os proponentes da quarta marca afirmam que são não apenas bíblicos, mas precursores de uma nova era dourada, quando não passam de imitadores de Neighbour Jr., Castellanos, Warren ou Hybels. Declaram a falência da confessionalidade enquanto erigem altares ao marketing, à sociologia e ao evangelicalismo arminiano, desconsiderando que muitas das igrejas que mais crescem na IPB são confessionais, tradicionais e simples.

Não devemos ser avessos a métodos, ou mesmo à ideia do desenvolvimento. A questão é que podemos desejar a expansão da igreja sendo confessionais e amando a IPB. O dinamismo não é sinônimo de precipitação, nem a inovação, de ação desmiolada.

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Súplicas de pastor

Data:   02/08/2010

Arquivado em: Pessoais, Teologia Pastoral.

Senhor, perdoa-me. Investi tantos anos na tua obra, mas o fiz do meu jeito, não do teu. Por causa disso, que obra restou? Nada resta sem tua glória na origem. Sendo sincero, pensei que tudo era para ti. Daí a labuta louca, desmedida. No entanto, que estranho Senhor, organização sem organismo, trabalho sem irmandade, estrutura no lugar de pessoas, pouca ressonância da Palavra graciosa, nada de riso ou poesia, pouco aconchego e gentileza de superfície.

Senhor, o que ficou? Não sei, mas sinto que pouco ou nada. Faz-me, eu te peço, mais útil, um obreiro das boas novas e nada mais, um pacificador que conecta com gentileza. Que na igreja se alegre e sirva enquanto se é curado; que não se procure algo para consertar e sim alguém para amar.

Posso tentar de novo Senhor?

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Como lidar com o presbibolhismo

Data:   02/08/2010

Arquivado em: Igreja.

Como lidar com o presbibolhismo e com os irmãos presbibolhas queridos que estão conosco? Reconheço que alguns se sentirão confortáveis com o presbibolhismo e nem mesmo o considerarão uma enfermidade. Outros, incomodados, desejarão tratamento. Para estes, nada melhor do que porções cavalares de doutrina da graça. Leituras devocionais dos Evangelhos, dos Salmos, do profeta Isaías, das cartas paulinas, da Confissão de Fé e dos Catecismos de Westminster, do Catecismo de Heidelberg e da Declaração de Cambridge, regadas com oração e louvor sincero, despertarão a alma para a preciosidade do calvinismo. Doses diárias do amado autor das Institutas, de Spurgeon e Hodge produzem pensamentos cristalinos e, se for possível, gotas de Jonathan Edwards enchem o coração de doçura e desejo de santidade. Não há quem permaneça sendo presbibolha depois de uma terapia de choque como essa.

Quanto aos que desejam continuar presbibolhas, continuo amando-os em Cristo. Entendo que convicções não podem ser forçadas. O catolicismo romano perseguiu os crentes reformados e estes perseguiram aos anabatistas. Os luteranos discordam dos metodistas, igrejistas com propósitos discutem com gedozistas e ministérios de desenvolvimento natural da igreja. Se todos pensassem como eu o mundo seria muito chato. De fato, a graça de Deus é multiforme (Ef 3.10). Sem abrir mão de minha confissão calvinista, sempre há algo precioso a aprender com todos os irmãos que servem ao Senhor Jesus Cristo (Jo 13.35; Rm 1.11-12). Então, mantenho comunhão com o Epá. Acho o ministério Djisus Live uma esquisitice só, mas oro para que o querido Epá seja confirmado no Evangelho e que nos encontremos no céu, onde as denominações não mais existirão e todos serão presbiterianos! :-D

Por fim, desejo que tais irmãos sejam felizes. Eu não aguentaria estar em uma igreja presbiteriana sem ser presbiteriano; penso que o cristão deve vestir a camisa de sua denominação, com excelência e paixão que nascem de convicções profundas. Imagine um membro da Assembleia de Deus contrário ao dom de línguas ou um batista que discorda da imersão. Simplesmente não dá pra ser assim. No mundo todo, igrejas que crescem contam com o apoio de cristãos que se identificam com um determinado ideal de serviço e se entregam por ele. Presbibolhas precisam servir com alegria (Sl 100.2). Eles podem encontrar essa felicidade curando-se do presbibolhismo ou seguindo o exemplo do irmão Epá.

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    “É precisamente quando os homens são dolorosamente oprimidos pela adversidade que são levados a sentir sua nulidade à vista de Deus.”  por João Calvino

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