Publicado em Liderança

O serviço divino e a gestão eclesiástica

20/02/2010 | Por Misael

Servir a Deus equivale a servir à igreja? E servir à igreja equivale à servir aos cristãos? Para ambas as questões deveríamos responder que “sim”. Quem me conhece sabe que, para mim, não há cristianismo bíblico que não seja, também, institucional. Não deve haver distinção entre ser um homem de Deus, um homem comprometido com o reino, um pastor ligado ao rebanho e um homem da instituição.

No entanto, considero as coisas institucionais em seu devido lugar. Ratifico o parecer de Max Weber quanto à burocracia que, por um lado, fornecia ao Estado unificado alemão ordem e racionalidade e, por outro, colocava os homens sob risco de tornarem-se impessoais, mais burocratas do que verdadeiramente humanos. Nesses termos, a alta eficiência de um sistema pode implicar em elevada desumanização, o que fere o espírito do evangelho.

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Publicado em Liderança, Teologia Pastoral

Ovelhas e amigos

04/02/2010 | Por Misael

O Senhor Jesus juntou dois conceitos aparentemente antagônicos. Em determinado momento ele se identificou como o “bom pastor” do rebanho de Israel. Em outro, chamou aos discípulos de “amigos”.

Essa dupla relação, de pastor e de amigo, é desafiadora para o líder cristão. Todo ministro legitimamente chamado pelo Espírito Santo é um guia que governa biblicamente sob Deus e, nesses termos, deve ser considerado e obedecido. Em tal base ele está separado das ovelhas e ligado ao Supremo Pastor de uma maneira singular. Aqui não importam a proximidade ou identificação, mas a obediência ao Rei dos Reis, que exige de seus pastores a tomada de decisões e encaminhamentos nem sempre simpáticos.

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Caráter ou estratégia?

28/12/2009 | Por Misael

No exercício da liderança são importantes tanto o caráter como a estratégia. Se tivermos de estabelecer uma ordem de importância, o caráter sempre precede a competência estratégia; Deus abençoa enormemente líderes que, mesmo com mediana ou inexistente proficiência em gestão estratégica, cultivam uma vida de intimidade e dependência do Todo-Poderoso. Sei que é possível implementar estratégias e encaminhar a vida da igreja de modo a obter bons resultados deixando-se fragmentar emocional e espiritualmente; sei que o dia-a-dia do pastoreio pode absorver-nos ao ponto de nos distanciarmos do Bom Pastor, assim como sei que é lastimável construir um império religioso enquanto se perde a própria alma.

Sei de tudo isso, mas continuo afirmando que isso não pode servir de desculpa para descartar a boa gestão eclesiástica. Para ser sincero, enquanto prossigo em minha caminhada pastoral, aumenta minha convicção de que é preciso integridade para colocar em prática uma estratégia correta.

Diferentemente do que se afirma na literatura não-cristã, a estratégia correta vem de Deus. Trata-se de uma aplicação contextualizada das Escrituras, ou seja, sempre adequada a dada circunstância, sobre determinada área ou mesmo sobre a totalidade da vida da igreja. Nesses termos, assumi-la, propagá-la e praticá-la envolve, primeiramente, intimidade com Deus; segundo, uma clareza de propósitos que só pode ser formatada por verdadeiro discernimento espiritual e, terceiro, coragem para pagar o preço de sua implementação, mesmo que em detrimento do bem-estar do líder. Isso exige caráter ou, em outras palavras, parece-me mais cômodo não assumir nenhuma estratégia, e assim buscar agradar a todos e afastar-se de riscos indesejáveis, do que assumi-la com todas as suas consequências.

Avaliando meus próprios erros como líder, entendo que, na maioria das vezes em que afastei-me da estratégia, o fiz por medo, leia-se falta de fé; por tentar conciliar interesses dissonantes quando deveria eliminar a contradição, leia-se confusão entre liderança pacificadora e liderança frouxa ou por deixar-me confundir por sentimentos decorrentes de embates relacionais. É claro que cheguei a essa conclusão depois de analisar os fatos, diante do leite derramado dos planos não efetivados. Na efervescência dos acontecimentos eu pensava que estava apenas guiando com gentileza, demonstrando respeito às ideias das pessoas com as quais eu compartilhava a liderança. Hoje percebo que, como líder, não fui íntegro; a falha na execução da estratégia decorreu de falhas de caráter.

Caráter e estratégia são indissociáveis. A Bíblia é cheia de relatos sobre pessoas que caminharam com Deus e executaram as estratégias divinas sem titubear, como afirma Ronaldo Lidório, em Liderança e Integridade, enfrentando a adversidade, não negociando a verdade, assumindo responsabilidade e aprendendo com seus erros e cuidando do próprio coração.

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Um conceito bíblico de liderança

14/10/2009 | Por Misael

Dentre os conceitos contemporâneos de liderança destaca-se o fornecido por Blanchard et al: Liderança “é a capacidade de influenciar outros a liberar seu poder e potencial de forma a impactar o bem maior”.[01] Esta consideração diferencia-se das demais por sua ênfase na liberação do “poder e potencial” dos liderados e pela incorporação da ideia de “bem maior” que abrange não apenas os resultados da organização, mas “aquilo que é o melhor para todos os envolvidos”.[02] Distancia-se da noção ultrapassada de uso das pessoas para alcançar objetivos meramente institucionais e financeiros e abre um espaço para a realização do pleno potencial humano. O ponto a questionar é se tal conceito é, de fato, bíblico e, por conseguinte, cristão.

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