Em um comentário postado neste site, JB afirmou: “Eu fico realmente triste quando vejo alguém criticando o pastor lá na frente só porque fala ‘pobrema’ ou porque ele é muito manso”. Na ocasião eu respondi que o comentário deu-me ideia para um novo post, que publico agora.
Não se trata de nenhuma ponderação profunda, apenas a reafirmação de uma obviedade: líderes precisam da ajuda de seus liderados.
Sou grato a Deus por aqueles que me informam sobre um erro gramatical, uma falha ortográfica ou uma inadequação de pronúncia. Uma correção sobre a citação de uma fonte ou sobre um vício de postura no púlpito são muito bem-vindas. Ademais, preciso de pessoas para me encorajarem em momentos que exigem decisões firmes — as ocasiões em que o pastor precisa “falar grosso”. Sei que aqueles que se aproximam para falar estão vencendo uma barreira e “correndo o risco” de achegar-se ao seu líder para falar acerca dos defeitos deste último. Aqui aproveito para agradecer de coração a todos os que tiveram essa coragem: vocês me abençoaram, e continuam me abençoando além de toda medida.
As exigências para a liderança espiritual são altíssimas e, na opinião de Bill Hybels, é “mais fácil liderar em uma empresa do que em uma igreja”. Isso porque em algumas comunidades, assume-se um modelo de liderança que extrapola as referências da Palavra de Deus.
Para muitos, o líder cristão deve ser eficiente em administração e logística, culto, excelente em didática e oratória, criativo, modelo de devoção, conciliador, dono de energia inesgotável e disponível a todos, em todo o tempo. Ele precisa saber lidar com críticas e cobranças, pois o diabo, acusador, às vezes perde em eficácia para alguns crentes de língua comprida. Ao mesmo tempo, ele deve ser brando ao identificar e cobrar as falhas de seus liderados, reconhecendo suas dificuldades pessoais. Ele precisa ser discreto com relação aos problemas de seus liderados ao mesmo tempo em que não possui privacidade. Sua existência pessoal e familiar tornam-se referenciais de “perfeição” comunitária. E enquanto faz isso, ele mostra-se bem-humorado e motivador, sempre.
Servir a Deus equivale a servir à igreja? E servir à igreja equivale à servir aos cristãos? Para ambas as questões deveríamos responder que “sim”. Quem me conhece sabe que, para mim, não há cristianismo bíblico que não seja, também, institucional. Não deve haver distinção entre ser um homem de Deus, um homem comprometido com o reino, um pastor ligado ao rebanho e um homem da instituição.
No entanto, considero as coisas institucionais em seu devido lugar. Ratifico o parecer de Max Weber quanto à burocracia que, por um lado, fornecia ao Estado unificado alemão ordem e racionalidade e, por outro, colocava os homens sob risco de tornarem-se impessoais, mais burocratas do que verdadeiramente humanos. Nesses termos, a alta eficiência de um sistema pode implicar em elevada desumanização, o que fere o espírito do evangelho.
O Senhor Jesus juntou dois conceitos aparentemente antagônicos. Em determinado momento ele se identificou como o “bom pastor” do rebanho de Israel. Em outro, chamou aos discípulos de “amigos”.
Essa dupla relação, de pastor e de amigo, é desafiadora para o líder cristão. Todo ministro legitimamente chamado pelo Espírito Santo é um guia que governa biblicamente sob Deus e, nesses termos, deve ser considerado e obedecido. Em tal base ele está separado das ovelhas e ligado ao Supremo Pastor de uma maneira singular. Aqui não importam a proximidade ou identificação, mas a obediência ao Rei dos Reis, que exige de seus pastores a tomada de decisões e encaminhamentos nem sempre simpáticos.