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Deus ajunta pessoas em torno do pastor

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Várias coisas podem ser listadas como características de uma pessoa chamada para o serviço pastoral. Nós conhecemos as instruções de Paulo em suas cartas pastorais, especialmente em 1Timóteo 3. Além disso, graças ao Senhor, existe muita literatura edificante e apontando para a necessidade e as possibilidades de desenvolvimento do caráter, da devoção e de diferentes habilidades pertinentes ao pastorado.

Outra bênção é a qualidade teológica de nossos seminários (aqui eu me refiro às instituições de formação teológica da Igreja Presbiteriana do Brasil). E tanto o acesso quanto a qualidade da informação sobre estudos bíblicos e teologia são impressionantemente maiores do que 20 anos atrás, pelo menos no contexto brasileiro.

Mesmo assim, creio que é preciso enfatizar algo bastante óbvio, mas que talvez pela obviedade, deixa de ser considerado quando lidamos com a questão do chamado para o serviço pastoral.

Deus ajunta pessoas em torno de um pastor. Um pastor é um agregador.

Como eu disse, isso deveria ser bastante óbvio, quando falamos sobre o chamado para o serviço pastoral. Basta olhar uma imagem típica de um pastor, exercendo seu trabalho entre um rebanho de ovelhas. De modo geral, a figura mostra um indivíduo cercado por um rebanho. Ele conduz o rebanho, ele providencia alimento para o rebanho e sob seus cuidados o rebanho se fortalece e cresce.

Deus ajunta pessoas em torno de um pastor. Um pastor é um agregador.

Em torno de uma pessoa chamada para o pastorado, deve haver gente. E uma pessoa chamada para o serviço pastoral deve agregar, continuamente, mais gente. Eu não estou dizendo que todo vocacionado é sempre bem-sucedido na evangelização, muito menos que ele precisa ser carismático, extrovertido ou especialista em marketing pessoal, ou possuir habilidades destacadas pelo coaches contemporâneos.

Digo apenas que um pastor deve agregar pessoas. Deus ajunta pessoas em torno dele. Pessoas são trazidas a Cristo por meio dele. Pessoas são discipuladas. Pela graça de Deus, pessoas são acrescentadas.

Acréscimo. Vidas transformadas. Agregação.

É exatamente porque a pessoa chamada para o serviço pastoral é divinamente capacitada para a agregação, que surge uma congregação.

Agregação (pela graça de Deus). Congregação (pela graça de Deus).

Esta é uma das evidências de que alguém foi chamado para o serviço pastoral: a pessoa chamada para o serviço pastoral recebe um favor especial de Deus, de modo que pessoas são atraídas para seu entorno. Por causa desse favor divino, elas ajuntam (Ez 34.5). Elas florescem e dão frutos onde quer que estejam. Sendo assim, para elas não há problema em dizer, como o antigo poeta: “onde me mandar irei”. De fato, onde elas chegam, há bênção, agregação e congregação. Ação abençoada por Deus. Gente chegando, se agregando, congregando, crescendo, servindo, testemunhando e ganhando mais gente. E isso, ininterruptamente, de modo que surge um povo, um corpo local, uma igreja conduzida pela Palavra e pelo Espírito Santo, sob os cuidados de uma pessoa chamada para pastorear.

Óbvio. Simples demais, mas, como eu disse alhures, por demais desconsiderado.

De fato, é cada vez mais comum elencar, como característica de um vocacionado, gostar de teologia, ou gostar de conduzir cultos, ou gostar de ensinar ou pregar, ou ser sábio para aconselhar, ou ser zeloso na administração, ou habilidoso nas questões conciliares. Tudo isso é bom e tem seu lugar.

Mas se a pessoa que se diz vocacionada (ou que é assim considerada pela igreja) para o serviço pastoral não é abençoada por Deus, continuamente, com gente sendo agregada em torno dela, não haverá rebanho para pastorear. As igrejas por onde ela passar diminuirão, enfraquecerão e, por conseguinte o demitirão. Com toda sua bagagem teológica, piedade e disposição para o serviço ele se frustrará, e também frustrará sua família e a igreja.

Quando alguém começa a entender que é chamado para o serviço pastoral, ou quando uma igreja começa a cogitar na possibilidade deste alguém ser vocacionado, deveria ser verificado o seguinte: Deus abençoa este irmão, colocando gente em torno dele? Por onde ele passa, gente é ajuntada? Pessoas conhecem Jesus Cristo e são discipuladas e acrescentadas a nossa igreja, por meio deste irmão? Este irmão agrega gente? Por meio dele, Deus acrescenta novos crentes à igreja local? E aqueles que são acrescentados são fortalecidos na fé e cuidados por ele? Antes de um irmão ser separado para iniciar uma nova igreja em um novo bairro ou localidade, ou enviado para estudar teologia ou para o trabalho missionário no exterior, ele deve ter sido usado por Deus para ganhar e discipular pessoas para Cristo no contexto de sua igreja local.

A bênção de Deus está sobre um irmão. Como resultado desta bênção, pessoas são agregadas em torno dele e ajuntadas ao corpo de Cristo. Isso evidencia a probabilidade deste irmão estar sendo divinamente separado para o serviço da Palavra de Deus (digo “probabilidade” porque alguém pode ser agregador, pela graça de Deus, sem ser chamado especificamente para o pastorado de uma igreja local).

Indivíduos isolados, fechados, que não ajuntam outros em torno de si, podem ser bons cristãos, mas não podem ser pastores de igrejas.

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1 Comentário

  1. Rev. Misael como sempre muito assertivo e oportuno seu texto sobre a vocação pastoral, em meio a esse momento que vivemos principalmente em nossa denominação de muitos pastores e poucas igrejas consolidadas, a crescente de seminaristas e a estagnação de novos trabalhos de plantação de igreja, esse texto irá ajudar a dar um norte para aquele que se sente vocacionado ou que já está a caminho dos estudos teológicos. Obrigado por pastorear nosso coração de todas as formas, com certeza esse texto veio em um momento muito bom!!


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