Jesus, amizade e natureza

Jesus, amizade e natureza

Jesus Cristo nos fornece o maior exemplo de valorização dos seres humanos e da natureza. Apesar de negar o pecado e reafirmar a eternidade das coisas espirituais, ele disse “sim” às pessoas e ao mundo criado por Deus. Ele cultivou amizades e encontrou as marcas da providência de Deus nas coisas belas.

Os Evangelhos citam seu relacionamento especial com Pedro, Tiago e João. Ele estabeleceu contatos profundos e abriu-se para compartilhar seus momentos de glória (transfiguração) e de tristeza (o Getsêmani — Mt 17.1; Mc 14.33-34). Isso é impressionante levando em consideração que ele é o “unigênito” de Deus (Jo 1.14). Ele podia, em toda hora e lugar, recorrer diretamente a Deus Pai. Mesmo assim, Jesus fez amigos humanos cheios de falhas. Para ele, a santidade brota e fortalece raízes na amizade. Cai por terra a ideia de que, para sermos santos, temos de nos afastar de outras pessoas.

Ademais, Jesus também contemplava a natureza. Isso é bem explicado por Otto Borchert, no excelente (e, infelizmente, não mais publicado) livro O Jesus Histórico:

Para ele, a dispensação da natureza era simplesmente a dispensação de Deus. As bênçãos ou os sofrimentos naturais são enviados não pela natureza, mas por Deus, que está no centro da natureza. Nem um pássaro morre, nem um cabelo de nossa cabeça cai, sem que ele saiba (Mt 10.29-30).[1]

Nosso Senhor era um homem de caminhadas, um observador de passarinhos, de lírios do campo e dos ciclos de semeadura e colheita.

Lembro-me de uma viagem que fiz ao litoral da Bahia. Conheci uma família cristã cujo pai, pescador por profissão, lançava-se ao mar somente de calças e camisas de mangas compridas. Além disso, seus filhos eram proibidos de ir à praia, a fim de seguirem os preceitos de “santidade” de sua igreja. Constatei que, às vezes, temos dificuldade em compreender o modelo de santidade de Jesus.

Amizade implica em compartilhar intimidade. Quão poucos crentes têm alguém com quem possam se abrir! O exemplo de Jesus nos ilumina em nossa caminhada rumo a uma vida de maior comunhão com Deus. Comunhão que é ampliada e aprofundada enquanto fazemos amigos e contemplamos a criação.

Nota

[1] BORCHERT, Otto. O Jesus Histórico. São Paulo, Vida Nova, 1985, p. 162.

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