Publicado em santidade prática
08/02/2010 | Por Misael
De acordo com o Dicionário Aurélio Século XXI, frugalidade é a qualidade de quem ou do que é frugal. Entenda-se frugal como algo ou alguém “sóbrio, simples, modesto” e frugalidade como uma certa qualidade de leveza existencial, tal como mencionada no primoroso texto de Trindade Coelho: “arrancha-se à sombra das árvores comendo a frugal refeição” ou como a belíssima letra de Cuitelinho, (folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó; para quem não sabe, cuitelinho é sinônimo de colibri ou beija-flor):
Cheguei na beira do porto, onde as “onda” se “espaia”
As garças dá meia “vorta” e “senta” na beira da praia
Meu cuitelinho não gosta que o botão de rosa caia
Ai, quando eu vim da minha terra, despedi da “parentaia”
Eu entrei no Mato Grosso, dei em terras “paraguaia”
Lá tinha revolução, enfrentei forte “bataia”
A tua saudade corta como aço de “navaia”
O coração fica aflito
bate uma, a outra “faia”
os “óio” se enche d’água
que até a vista se “atrapaia”
A propósito, morreu no início desta semana, aos 70 anos, de infarto, José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, um dos integrantes da dupla Pena Branca e Xavantinho, que interpretava Cuitelinho. O vídeo sobre a morte do cantor e a música podem ser vistos e ouvidos no fim deste post.
A vida carece de frugalidade. Mesmo urbanóides como nós, que vivemos lutando pela sobrevivência, imersos no estresse do mundo globalizado e tecnológico, precisamos ser frugais — simples, sóbrios, leves e abertos aos sentimentos e à beleza das coisas criadas, à medida em que caminhamos confiantes na Providência Divina.
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Tags : fé
Publicado em santidade prática
08/02/2010 | Por Misael
A vida seria insuportável sem o silêncio. O coração tumultuado precisa experimentar a tranquilidade proveniente da ausência de perturbações. Esse estado de pleno descanso é a base para diversos benefícios espirituais, afetivos e físicos.
Vivemos numa cultura de consumo, sendo escravos do tempo e presas da ansiedade. Não raro eu me descubro, em determinados instantes, lidando com dezenas de pensamentos simultâneos. O cérebro em atividade frenética, processando imagens e dados, tecendo análises, alinhavando argumentos e adiantando projetos. O coração a mil: correria; confusão; ausência de silêncio.
Isso me faz concluir que o silêncio não é apenas físico. Eu posso estar em plena tormenta, esmagado pelo tumulto, mesmo quando meus ouvidos não estão sendo incomodados com uma quantidade exagerada de decibéis. Existe um silêncio emocional e espiritual, que eu preciso aprender a cultivar: “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2.20).
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Tags : fé,
Vida devocional
Publicado em Atualidades
04/02/2010 | Por Misael

Depois das primeiras semanas após minha mudança para São José do Rio Preto, diminuindo para duas a quantidade de caixas a serem abertas em minha biblioteca e, finalmente, colocando o mínimo de ordem em meu fluxo de trabalho, dedico algumas linhas para falar sobre Avatar, filme dirigido por James Cameron que tem ultrapassado marcas históricas de bilheteria.
Avatar leva a construção de uma realidade por meios digitais ao seu ápice. Se até aqui tínhamos os recursos tecnológicos como suporte à produção, em Avatar eles estão no centro de todo o processo. A experiência é, de fato, de completa imersão em Pandora, algo que é testemunhado não apenas pelos expectadores, mas também pelo próprio elenco do filme.
Se nesse ponto estamos diante de algo inovador, em outro aspecto, somos apresentados a uma antiga doutrina pagã. Parece que Avatar propõe como discurso central, simplista, ao meu ver, que somos responsáveis por utilizar adequadamente os recursos naturais. Porém, ele vai além ao apresentar Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três gigantes gasosos fictícios orbitando Alpha Centauri, como organismo vivo dotado de consciência. Pandora não é criação; trata-se de um ambiente rico que oferece conexão multiforme (tudo o que é vivo possui um dispositivo físico que funciona como um “hub” que permite uma mútua ligação umbilical). Ademais, Pandora é sagrada; possui transcendentalidade que pode ser acessada através de rituais mágicos. O quadro idílico oferecido por Cameron, sob esta ótica, nada mais é do que um retorno ao panteísmo e animismo — como eu disse no início deste parágrafo, o recrusdecimento do paganismo pré-cristão.
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Tags : resenhas
Publicado em Liderança, Teologia Pastoral
04/02/2010 | Por Misael
O Senhor Jesus juntou dois conceitos aparentemente antagônicos. Em determinado momento ele se identificou como o “bom pastor” do rebanho de Israel. Em outro, chamou aos discípulos de “amigos”.
Essa dupla relação, de pastor e de amigo, é desafiadora para o líder cristão. Todo ministro legitimamente chamado pelo Espírito Santo é um guia que governa biblicamente sob Deus e, nesses termos, deve ser considerado e obedecido. Em tal base ele está separado das ovelhas e ligado ao Supremo Pastor de uma maneira singular. Aqui não importam a proximidade ou identificação, mas a obediência ao Rei dos Reis, que exige de seus pastores a tomada de decisões e encaminhamentos nem sempre simpáticos.
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