O Senhor Jesus juntou dois conceitos aparentemente antagônicos. Em determinado momento ele se identificou como o “bom pastor” do rebanho de Israel. Em outro, chamou aos discípulos de “amigos”.
Essa dupla relação, de pastor e de amigo, é desafiadora para o líder cristão. Todo ministro legitimamente chamado pelo Espírito Santo é um guia que governa biblicamente sob Deus e, nesses termos, deve ser considerado e obedecido. Em tal base ele está separado das ovelhas e ligado ao Supremo Pastor de uma maneira singular. Aqui não importam a proximidade ou identificação, mas a obediência ao Rei dos Reis, que exige de seus pastores a tomada de decisões e encaminhamentos nem sempre simpáticos.
O título deste post não contém nenhum erro de digitação. Em determinadas situações, confesso que considero mais fácil amar ao “próximo” distante do que o próximo mais achegado, especialmente os familiares. Cuidar das feridas, vestir e pagar a hospedagem de um estranho samaritano parece-me uma tarefa mais exequível do que fazer o mesmo por alguém com quem compartilho laços de sangue.
Digo isso no contexto de acertos familiares relacionados ao inventário de minha mãe. Fui criado em um lar no qual há enormes dificuldades de diálogo. Cada fala exige extremada ponderação e tem o potencial de criar rancores homéricos. Ao articular uma ideia com clareza e sinceridade, corre-se risco de estabelecer uma ruptura dolorosa e de longa duração.
Amar ao próximo distante, pelo menos pra mim, é menos complicado do que amar ao próximo próximo.
A questão é que Deus nos convoca a vivenciar a aliança, primeiramente, na família, e consta neste pacto a prática da humildade e do amor. A primeira subjuga as tendências egoístas do coração; o último formata adequadamente o trato. Sendo assim, cada interação torna-se oportunidade de externalizar a doutrina de salvação: Deus amou ao ponto de dar seu Filho. É nesses termos que amo de coração aos meus irmãos e sobrinhos. Eles são minha família, os próximos próximos a quem eu devo amar antes de amar aos próximos distantes.
É a primeira vez em minha vida que passo o Natal em um “acampamento”. De volta a Brasília para conduzir o fechamento do ano eclesiástico da IPCG, hospedo-me na casa pastoral equipada com a mobília que será utilizada pela Carol: um refrigerador, uma mesa, dois bancos de madeira, um conjunto estofado, uma TV, uma cama de casal e um colchão de solteiro. Para cozinhar, um fogareiro elétrico. Nenhuma decoração de Natal e o coração, ao invés de festivo, triste, pois é o primeiro Natal sem mamãe (a foto a seguir foi tirada no dia 24/12/2008).

O Consolador me ajuda a lembrar de Jesus, nascendo há cerca de dois mil anos atrás, em um lugar muito mais simples do que o meu. A chegada daquela criança em Belém confirmou promessas de um amor eterno: Deus nos conhece por nome e se interessa por nós ao ponto de enviar seu Filho para nos salvar. Ainda que não haja uma árvore ou motivos “natalinos” em meu “acampamento de transição”, o Redentor está presente. Louvado seja seu nome por isso!

Mais, tenho ao meu lado a Mirian e as meninas, e sou agraciado por ter meu irmão Iran, minhas irmãs Estelina, Lourdes e Jô e meu sobrinho André, além de outros também queridos sobrinhos e sobrinhas, primos e primas, Dona Romilce, sogra amada, minhas cunhadas e cunhados, alguns próximos e outros distantes, mas cada um deles precioso presente de Deus. Nos últimos dias tenho recebido e-mails, mensagens SMS, visitas e telefonemas abençoadores de amigos, irmãos e irmãs em Cristo.
2009 foi, talvez, o meu ano mais difícil. Eu não conseguiria ter chegado até aqui sem Deus e sem os familiares e irmãos e amigos. A todos o meu muito obrigado e desejos de um ótimo Natal.
Uma das sentenças do Credo Apostólico é “creio [...] na comunhão dos santos”. Esta declaração aponta para dois fatos. Primeiro, essa comunhão é vital. O Credo destaca pontos determinantes para que alguém seja considerado cristão. A comunhão dos santos é um aspecto indispensável do discipulado.