Leitura de Êxodo 40.16-38. Destaque à frase repetida no texto: “segundo o SENHOR ordenara a Moisés.”
O culto cristão tem sua base, em primeira instância, no culto judaico revelado no AT. A Carta aos Hebreus fala do culto no tabernáculo como figura, sombra e parábola. Nos capítulos 7-10 daquela epístola, o autor mostra que o sacerdócio de Cristo é superior ao levítico; que enquanto este teve fim, aquele é eterno; que a Antiga Aliança era símbolo da Nova; que os ritos, ofertas e sacrifícios do tabernáculo eram ineficazes e que o sacrifício de Cristo é eficaz e perfeito. Diz que aqueles sacerdotes ministravam em “figura e sombra das coisas celestes” (8.5); que aquele santuário e o serviço feito ali era uma “parábola para a época presente” (9.9); que “a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas” (10.1). Por estas declarações conclui-se que Hebreus coloca o tabernáculo e o que nele se realiza como símbolos das realidades trazidas e cumpridas em Cristo.[11]
Ao lidar com a questão da liturgia defrontamo-nos com um aparente dilema. Se, por um lado, o planejamento e execução da liturgia é uma função privativa do pastor da igreja,[1] por outro, é como se cada ministro assumisse um ponto de vista diferente dos demais. Tal situação abre espaço, primeiramente, para rotulagens. Pastores mais conservadores julgam seus colegas que adicionam ao culto práticas consideradas “pentecostais” ou “neopentecostais”, enquanto pastores mais abertos a métodos contemporâneos dizem dos conservadores que são “mortos”, “formalistas”, “cerimonialistas” e “destituídos de vida”. Em segundo lugar, padrões de liturgia geram discordância nos debates conciliares. Nestes o nível das discussões é normalmente superficial, focado no que é externo, e.g., se podemos ou não “bater palmas”. Daí são produzidos e aprovados documentos “pró” ou “anti-palmas”, dependendo da tendência do concílio. Futuramente, mudando a tendência, muda o documento, ad infinitum.
A questão que surge é: “existe uma base unificadora para o culto, ou, de fato, cada pastor tem a plena liberdade de implementar o que quiser?” O autor deste estudo entende que sim, há uma base unificadora para o culto e que a raiz de todas as dificuldades quanto ao assunto reside no desconhecimento — ou, conhecendo-a, sua desconsideração — desta base.
Este artigo nasceu de uma resposta — longa demais — a um comentário de um leitor, enviado por e-mail, sobre o texto Adoração alegre e inteligente. A inserção de danças na liturgia cristã é um fenômeno recente, pelo menos em igrejas reformadas. Parece-me que o Cristianismo reformado assumia, até pouco tempo, as seguintes asserções:
Todo dom (entenda-se “capacidade artística”) procede de Deus. As artes podem ser desenvolvidas porque decorrem da criação segundo a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-28). As capacidades criativas do homem não foram eliminadas após a queda, mas — como todas as áreas da existência humana — foram afetadas pela depravação total. O homem passou a usar a arte idolátrica, imoral e egoisticamente (Gn 4.20-22). Observe-se que os dons artísticos de Bezalel e Aoliabe foram contribuições ordenadas por Deus para a construção do Tabernáculo (Êx 31.1-6). Por outro lado, os pagãos utilizavam tais dons para afundar-se na idolatria e sensualidade (Is 40.19-20; Rm 1.18-32).
É bom entoarmos louvores ao Altíssimo “com amor, espiritualmente” (Hino 4 do Hinário Novo Cântico). A questão é: “o que cantamos corresponde aos padrões bíblicos?” Considerando que a música produz impacto na mente, nas emoções e no corpo, é preciso tomar alguns cuidados.
Os cânticos litúrgicos devem centrar o adorador em Deus e sua Palavra. Música que produz dispersão ou confusão na mente e psique, ou que estimula o corpo para a dança, não serve para o culto. Música cujo volume extrapola os limites saudáveis de decibéis e cuja letra não pode ser compreendida com clareza, perturba ao invés de edificar. Música executada de modo a enfatizar a performance dos cantores e instrumentistas é péssima no ajuntamento dos santos.