Misael Nascimento

Somente Pela Graça

Cor meum tibi offero, Domini. Prompte et sincere

Os presbibolhas

Data:   28/07/2010

Arquivado em: Igreja.

Os presbibolhas

Acompanho o Epaminondas desde a infância, quando foi batizado em uma igreja presbiteriana. Ele cresceu participando da escola dominical, dos cultos e das reuniões de crianças, adolescentes e jovens. Seu casamento com Felícia, uma jovem também nascida e criada no presbiterianismo, foi um momento de muita alegria. Depois ele se mudou para uma cidade distante, no litoral nordestino.

Visitando uma comunidade na internet, deparei-me com uma página do Epaminondas e pude ler sua apresentação: “Sou o Epá, casado com Feli e participamos da Comunidade Djisus Live, uma galera de fé muito manêra. Lá tem adoração trance, muito poder e descontração. Jesus é mó legal, ser cristão é o máximo!”

Pensei no Epaminondas que conheci, integrado às sociedades internas da igreja. Agora ele sofre de reducionite comunicativa: tem dificuldade em escrever ou pronunciar palavras inteiras e sem diminutivo. Assumiu uma nova igreja, voltada para o louvor, dança litúrgica e sinais maravilhosos. O discipulado bíblico é descrito por ele de forma profunda: “mó legal!”. Algo me diz que o Epá, como ele mesmo se denomina, mudou muito mesmo.

Ou será que ele não mudou? Quem sabe ele era membro da Igreja Presbiteriana do Brasil apenas nominalmente, sem compreender, experimental e profundamente, as doutrinas da graça. Quem sabe ele participava dos cultos sem desfrutar, de fato, de Cristo na liturgia. Quem sabe ele comungava da ceia sem a ciência de seu significado e poder provedor. Agora ele estava assumindo uma vida “adulta”, escolhendo uma igreja de acordo com suas preferências. As igrejas presbiterianas da localidade não o atraíram. Ele poderia, finalmente, filiar-se à Comunidade Djisus Live.

Concluo que existem presbiterianos e presbibolhas. Epaminondas era um presbibolha. O tempo passou e sua fé, ao invés de desenvolver-se, regrediu. Ele não amadureceu, assumiu a adultolescência.

O que distingue um presbiteriano de um presbibolha? De modo geral existem diferenças relacionadas à apuração do apetite espiritual. Presbibolhas gostam de algodão doce religioso e presbiterianos preferem alimento nutritivo. Em termos litúrgicos, presbiterianos apreciam adoração densa, possuidora de conteúdo sólido. Presbibolhas se divertem em reuniões que reproduzem ambientes de karaokê ou então, eventos de impacto emocional. Outra diferença é perceptível em termos de expectativa ministerial. Presbiterianos destacam o serviço humilde, presbibolhas amam megarealizações. Por fim, ambos são diferentes em termos de estabilidade eclesiástica. Presbiterianos, quando se mudam para uma cidade em que não há presbiterianismo ou igrejas reformadas, estabelecem novas igrejas presbiterianas. Presbibolhas mudam de denominação com muita facilidade, não possuem raízes ou convicções profundas.

No próximo post mostrarei a diferença entre os presbibolhas e as bodelhas (você ainda não sabe o que é uma bodelha?). Também direi como surge o presbibolhismo, como identificá-lo e evitá-lo.

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Bodelhas perdidas

Data:   09/02/2010

Arquivado em: Igreja, santidade prática.

Bodelhas

A maior parte do trabalho pastoral diz respeito ao trato com as ovelhas — os eleitos agregados ao rebanho de Cristo (Provérbios 27.23). Nosso Senhor investiu tempo em pessoas, ministrando a graça e o amor a todos que, sinceramente, buscavam a Deus. Ele orientou os apóstolos a procurarem os perdidos e exemplificou sua própria missão como a tarefa de resgatar a ovelha extraviada (Mateus 4.23-25, 10.6; Lucas 15.3-7).

É preciso salientar que o Senhor Jesus qualificou as ovelhas: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem” (João 10.27). Em suma, ovelhas sabem ouvir e seguir. O rebanho de Cristo é composto de indivíduos que, em virtude de terem sido incluídos no pacto da salvação alcançcados (esse é o sentido do verbo “conhecer”) escutam a fala de Jesus e o seguem. Vejamos ainda Provérbios 4.18: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Uma ovelha de Cristo tem ouvidos, é obediente e trilha um caminho de aperfeiçoamento contínuo — de aumento cotidiano da luz. Muito simples.

Prolifera, porém, nas igrejas, uma nova classe de membros, que podemos chamar de bodelhas. Uma bodelha é muito semelhante a uma ovelha — para dizer a verdade, externamente, pelo menos na primeira fase de convívio eclesiástico, não há diferença perceptível. Somente com o passar do tempo é que podem ser notadas as dissonâncias no procedimento, no balido, nas atitudes e no fruto espiritual.

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Frugalidade (atualizado)

Data:   08/02/2010

Arquivado em: santidade prática.

De acordo com o Dicionário Aurélio Século XXI, frugalidade é a qualidade de quem ou do que é frugal. Entenda-se frugal como algo ou alguém “sóbrio, simples, modesto” e frugalidade como uma certa qualidade de leveza existencial, tal como mencionada no primoroso texto de Trindade Coelho: “arrancha-se à sombra das árvores comendo a frugal refeição” ou como a belíssima letra de Cuitelinho, (folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó; para quem não sabe, cuitelinho é sinônimo de colibri ou beija-flor):

Cheguei na beira do porto, onde as “onda” se “espaia”
As garças dá meia “vorta” e “senta” na beira da praia
Meu cuitelinho não gosta que o botão de rosa caia
Ai, quando eu vim da minha terra, despedi da “parentaia”
Eu entrei no Mato Grosso, dei em terras “paraguaia”
Lá tinha revolução, enfrentei forte “bataia”
A tua saudade corta como aço de “navaia”
O coração fica aflito
bate uma, a outra “faia”
os “óio” se enche d’água
que até a vista se “atrapaia”

A propósito, morreu no início desta semana, aos 70 anos, de infarto, José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, um dos integrantes da dupla Pena Branca e Xavantinho, que interpretava Cuitelinho. O vídeo sobre a morte do cantor e a música podem ser vistos e ouvidos no fim deste post.

A vida carece de frugalidade. Mesmo urbanóides como nós, que vivemos lutando pela sobrevivência, imersos no estresse do mundo globalizado e tecnológico, precisamos ser frugais — simples, sóbrios, leves e abertos aos sentimentos e à beleza das coisas criadas, à medida em que caminhamos confiantes na Providência Divina.

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Silêncio

Data:   08/02/2010

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A vida seria insuportável sem o silêncio. O coração tumultuado precisa experimentar a tranquilidade proveniente da ausência de perturbações. Esse estado de pleno descanso é a base para diversos benefícios espirituais, afetivos e físicos.

Vivemos numa cultura de consumo, sendo escravos do tempo e presas da ansiedade. Não raro eu me descubro, em determinados instantes, lidando com dezenas de pensamentos simultâneos. O cérebro em atividade frenética, processando imagens e dados, tecendo análises, alinhavando argumentos e adiantando projetos. O coração a mil: correria; confusão; ausência de silêncio.

Isso me faz concluir que o silêncio não é apenas físico. Eu posso estar em plena tormenta, esmagado pelo tumulto, mesmo quando meus ouvidos não estão sendo incomodados com uma quantidade exagerada de decibéis. Existe um silêncio emocional e espiritual, que eu preciso aprender a cultivar: “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2.20).

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    “Somente quando nos damos conta de que não somos o centro do universo é que começamos a liderar em alto nível.”  por Ken Blanchard Liderança de Alto Nível

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