Publicado em Liderança, Teologia Pastoral

Ovelhas e amigos

04/02/2010 | Por Misael

O Senhor Jesus juntou dois conceitos aparentemente antagônicos. Em determinado momento ele se identificou como o “bom pastor” do rebanho de Israel. Em outro, chamou aos discípulos de “amigos”.

Essa dupla relação, de pastor e de amigo, é desafiadora para o líder cristão. Todo ministro legitimamente chamado pelo Espírito Santo é um guia que governa biblicamente sob Deus e, nesses termos, deve ser considerado e obedecido. Em tal base ele está separado das ovelhas e ligado ao Supremo Pastor de uma maneira singular. Aqui não importam a proximidade ou identificação, mas a obediência ao Rei dos Reis, que exige de seus pastores a tomada de decisões e encaminhamentos nem sempre simpáticos.

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Publicado em Liderança

Caráter ou estratégia?

28/12/2009 | Por Misael

No exercício da liderança são importantes tanto o caráter como a estratégia. Se tivermos de estabelecer uma ordem de importância, o caráter sempre precede a competência estratégia; Deus abençoa enormemente líderes que, mesmo com mediana ou inexistente proficiência em gestão estratégica, cultivam uma vida de intimidade e dependência do Todo-Poderoso. Sei que é possível implementar estratégias e encaminhar a vida da igreja de modo a obter bons resultados deixando-se fragmentar emocional e espiritualmente; sei que o dia-a-dia do pastoreio pode absorver-nos ao ponto de nos distanciarmos do Bom Pastor, assim como sei que é lastimável construir um império religioso enquanto se perde a própria alma.

Sei de tudo isso, mas continuo afirmando que isso não pode servir de desculpa para descartar a boa gestão eclesiástica. Para ser sincero, enquanto prossigo em minha caminhada pastoral, aumenta minha convicção de que é preciso integridade para colocar em prática uma estratégia correta.

Diferentemente do que se afirma na literatura não-cristã, a estratégia correta vem de Deus. Trata-se de uma aplicação contextualizada das Escrituras, ou seja, sempre adequada a dada circunstância, sobre determinada área ou mesmo sobre a totalidade da vida da igreja. Nesses termos, assumi-la, propagá-la e praticá-la envolve, primeiramente, intimidade com Deus; segundo, uma clareza de propósitos que só pode ser formatada por verdadeiro discernimento espiritual e, terceiro, coragem para pagar o preço de sua implementação, mesmo que em detrimento do bem-estar do líder. Isso exige caráter ou, em outras palavras, parece-me mais cômodo não assumir nenhuma estratégia, e assim buscar agradar a todos e afastar-se de riscos indesejáveis, do que assumi-la com todas as suas consequências.

Avaliando meus próprios erros como líder, entendo que, na maioria das vezes em que afastei-me da estratégia, o fiz por medo, leia-se falta de fé; por tentar conciliar interesses dissonantes quando deveria eliminar a contradição, leia-se confusão entre liderança pacificadora e liderança frouxa ou por deixar-me confundir por sentimentos decorrentes de embates relacionais. É claro que cheguei a essa conclusão depois de analisar os fatos, diante do leite derramado dos planos não efetivados. Na efervescência dos acontecimentos eu pensava que estava apenas guiando com gentileza, demonstrando respeito às ideias das pessoas com as quais eu compartilhava a liderança. Hoje percebo que, como líder, não fui íntegro; a falha na execução da estratégia decorreu de falhas de caráter.

Caráter e estratégia são indissociáveis. A Bíblia é cheia de relatos sobre pessoas que caminharam com Deus e executaram as estratégias divinas sem titubear, como afirma Ronaldo Lidório, em Liderança e Integridade, enfrentando a adversidade, não negociando a verdade, assumindo responsabilidade e aprendendo com seus erros e cuidando do próprio coração.

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Publicado em Igreja

Sobre o Manual Presbiteriano com Jurisprudência

24/12/2009 | Por Misael

Capa do Manual Presbiteriano

Os leitores que não são presbiterianos podem desconsiderar este post. Escrevo sobre um instrumento de administração interna da IPB, o compêndio de regulamentações denominado Manual Presbiteriano (MP), que agrega a Constituição Interna (CI/IPB), os Princípios de Liturgia, o Código de Disciplina, os regimentos internos e o Modelo de Estatutos Para a Igreja Local da Igreja Presbiteriana do Brasil.

A Editora Cultura Cristã publicou, por duas vezes, edições do referido MP com jurisprudência (MPJ). Diversos artigos receberam notas de rodapé com os sumários de decisões anteriores do Supremo Concílio (SC/IPB) acerca dos assuntos abordados no texto constitucional. Tais edições foram bem recebidas, mas nem sempre bem aplicadas. Em alguns casos, a jurisprudência foi considerada sem uma avaliação mais profunda da própria lei. Tal radicalização gerou uma reação também exagerada: afirmou-se que o MPJ não possui nenhum valor e que a própria iniciativa da publicação foi equivocada por confundir mais do que ajudar.

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Publicado em Liderança

Notas sobre pastorado auxiliar

11/09/2009 | Por Misael

A presença de um ou mais ministros auxiliares acrescenta um elemento novo à dinâmica conciliar. A legislação da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), pelo que entendo, permite duas interpretações, o funcionamento como colegiado (figura 01) e como equipe pastoral (figura 02).

O modelo de colegiado pastoral

Figura 01. Vários pastores em um colegiado.

O modelo do colegiado é defendido a partir da possibilidade de presidência alternada do Conselho, estabelecida no Estatuto da Igreja Local (EIL): “[...] se a Igreja tiver mais de um pastor, exercerão a presidência alternadamente, salvo outro entendimento”.[1] Ele rompe com a ideia de hierarquia e considera os títulos de pastor efetivo e pastor auxiliar como meras formalidades. Todos os integrantes do colegiado têm igual autoridade e as questões pastorais são conduzidas por consenso.

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