Recentemente dialoguei pela Internet com uma evangélica que acredita que Deus fala hoje através de [novas] revelações. Expliquei-lhe que, como reformado não acredito em “novas” revelações, ou seja, entendo que o período das revelações cessou após o fechamento do cânon bíblico. Minhas palavras foram recebidas quase como uma blasfêmia e, a partir de então, fui duramente confrontado.
Minha interlocutora afirmou que eu, como criatura, estava tentando contender com o Criador. Citou ainda a frase bíblica “agindo ele [Deus], quem o impedirá?” (Is 43.3) e, a partir daí, argumentou que “nada é impossível para Deus” (Mt 19.26). Em seguida, utilizou a doutrina da imutabilidade divina para rejeitar o meu ponto de vista. Disse: “Não aceito a idéia de que, por causa da finalização do Novo Testamento, Deus deixou de falar por meio de revelações. Creio que Deus fala, revela sim, pois ele não mudou e nem mudará”. Por fim, esclareceu que minha recusa em aceitar novas revelações demonstrava falta de fé: “Acho que tudo é conforme a nossa fé, e ‘sem fé é impossível agradar a Deus’ (Hb 11.6). Nós é que passamos a ser cada vez mais incrédulos a cada dia”.