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A ética do Sermão do Monte e de Efésios 4—5, em tempos de pandemia

Nestes tempos de pandemia, é lamentável verificar cristãos alardeando suas liberdades espirituais e civis enquanto articulam uma ética beligerante, que desconsidera as éticas do Sermão do Monte e de Efésios 4—5.

A ética do Sermão do Monte

Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mateus 5.20).

Os escribas e fariseus eram os especialista no Direito Judaico. Conheciam a fundo as leis que regulavam crenças, valores e comportamento dos judeus piedosos do tempo de Jesus. Eram especialistas em reivindicar o Direito e a Justiça, com base na Legislação vigente.

Jesus afirma que a justiça de seus discípulos deveria “exceder” a justiça dos escribas e fariseus. Esta “justiça” requerida por Jesus, que vai além da dos escribas e fariseus, é a ética do Sermão do Monte (Mt 5.21-48). Trata-se de um novo modo de agir, que assegura a posse da terra aos que abrem mão de seus direitos (os “mansos”) e identifica, como “filhos de Deus”, não os beligerantes, mas os “pacificadores” (Mt 5.5,9). Abandona o trato desrespeitoso e o ódio (Mt 5.21-26). Não lida com o próximo como “coisa” ou “objeto” (Mt 5.27-32). É simples e fiel nos compromissos assumidos (Mt 5.33-37). Não resiste ao perverso, mas, ao invés disso, (faz concessões) mais do que é exigido (Mt 5.38-42). Ama ao inimigo (Mt 5.43-48). Para completar, atenta para a regra de ouro: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12).

Em suma, nossas liberdades pessoais são limitadas pela ética contracultural, do Sermão do Monte.

Efésios 4.17—5.2

4.17 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, 18 obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, 19 os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. 20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, 21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, 22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, 23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, 24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

25 Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. 26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27 nem deis lugar ao diabo. 28 Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. 29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. 30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. 31 Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. 32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

5.1 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; 2 e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Efésios 4.17—5.2).

Em Efésios 4.17—5.2, três coisas são dignas de atenção:

Primeiro, havia um modo de viver antes da conversão — pertinente aos “gentios” (v. 17-19), mas o cristão abandonou aquela vida e agora opera de modo diferente (v. 20-24). “Por conseguinte, é isso que afirmo e testemunho no Senhor: que vós já não caminhais como os gentios na futilidade da mente deles” (tradução de Frederico Lourenço; FL).

Em segundo lugar, a nova vida produz mudança no modo de expressão. O padrão de comunicação do cristão é agora distinto dos “gentios”. Ele diz a verdade (v. 25). Ele não faz uso de palavra torpe (v. 29; “suja”, Nova Almeida Atualizada, NAA; “palavra podre”, FL; sendo assim, alguém que diz defender a causa da verdade, da liberdade ou dos direitos justos, fazendo uso de vocabulário sujo (palavrões), não corresponde ao padrão cristão.

Terceiro, o cristão usa suas liberdades (espiritual e civil) para difundir aquilo que “edifica”, que é útil e comunica “graça” (v. 29). Ele se esmera a fim de construir coisas boas e graciosas, condizentes com o evangelho de Deus: “[…] mas sim [uma palavra] boa, para edificação da necessidade, para que dê graça aos que [a] ouvem” (FL)

Ao proceder assim, o cristão não entristece ao Espírito Santo (v. 30). Seu modo de expressão/comunicação não contém amargura, nem cólera (“indignação”, NAA), nem gritaria, nem blasfêmia, nem malícia (“maldade”, NAA). Ele faz uso de suas liberdades para expressar benignidade (“bondade”, NAA), compaixão e perdão. Agora ele é agente do amor que acolhe e imita a Deus no mundo (Ef 4.32—5.2).

Por Misael Batista do Nascimento

Me. Educação. D.Min. Pastor da Igreja Presbiteriana de São José do Rio Preto.

5 respostas em “A ética do Sermão do Monte e de Efésios 4—5, em tempos de pandemia”

O texto em efésios é totalmente persuasivo e ao mesmo tempo simples,quem lê essa passagem, e não se sente incomodado,confrontado com essa verdade,ainda não foi tocado verdadeiramente pelo Espírito santo. Um verdadeiro cataclisma para a sociedade moderna.

Aquele que lê e medita nessa palavra em Efésios e não se sente incomodado, confrontado com a maldade de seus atos, ainda não foi verdadeiramente tocado pelo Espírito Santo. Um verdadeiro cataclisma para a sociedade moderna.

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