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A Igreja depois da pandemia

Como podemos imaginar a Igreja de Jesus Cristo, depois da pandemia da Covid-19? Enquanto converso com colegas, parece ser possível organizar as opiniões em dois blocos distintos: uns respondem com exultação; outros com reticências e indicativos de problema iminente, sugerindo teorias conspiratórias que evocam uma prevalência do mal e aproximação do anticristo.

Eu me encontro entre os primeiros, porque minha leitura da História é, confesso, determinista, no melhor sentido possível. Acredito que a História é determinada por Deus, que cada detalhe dela cumpre um decreto eterno do Altíssimo (Is 46.9-13). Nesses termos, por mais que isso soe estranho, entendo que todas as circunstâncias desta pandemia — e isso inclui cada experiência de desconforto e sofrimento, até mesmo cada decreto governamental que afeta as igrejas — realizam o plano de Deus em sua misteriosa providência.

Além disso, creio no triunfo da Igreja. Ainda que invertido e esquisito. Ainda que restringida e sufocada por oposição. Leio a História à luz de Apocalipse 11.1-14. A Igreja é simbolizada por duas testemunhas que, semelhantes a Moisés e Elias, pregam e realizam sinais, mas que, no fim das contas, são odiadas pelos inconversos. As testemunhas são “mortas” — e sua morte é aclamada pela sociedade/cultura vigente —, mas no fim, Deus as levanta milagrosamente. Esta é a Igreja na História.

Alguns posts e lives listam possíveis problemas que a Igreja enfrentará após a pandemia: Dizem que [1] o fervor diminuirá, por conta do tempo longo em distanciamento social; [2] os cultos presenciais diminuirão, pois as pessoas terão se acostumado às atividades on-line; [3] a cultura digital encaminhará um paradigma de igreja distante do padrão das Sagradas Escrituras, uma espécie de nova agremiação religiosa digital-glocal, com pessoas filiadas à distância (membros não apenas da localidade, mas de todas as partes do globo), contribuindo à distância, pastoreadas/discipuladas à distância, oferecendo culto e participando de ministérios à distância. Uma igreja mediada pelos recursos tecnológicos. [4] Há quem diga que as igrejas locais simples, analógicas, definharão.

Eu não desconsidero as ponderações acima, mas, como eu disse, acredito na doutrina da providência ao ponto de estar certo de que cada uma destas tendências é provida/permitida/decretada por Deus.

Minhas convicções: [1] Deus assegurará o fervor dos eleitos dele. [2] Deus atrairá os eleitos aos cultos e atividades presenciais. [3] Deus usará a cultura digital para sua causa santa: igrejas tementes ao Senhor adequarão seus ministérios biblicamente, para fazer frente aos novos paradigmas. As que tiverem condições de usar os meios digitais continuarão a servir ao Senhor com fidelidade e produzindo bom fruto, a despeito das ameaças. [4] As igrejas simples, analógicas, permanecerão vivas e crescerão.

Isso é assim porque a Igreja, esta instituição simples, desprovida de planejamento estratégico infalível ou recursos sofisticados, é a “menina dos olhos” do Senhor (Sl 17.7-8). Deus a guardará. Deus a manterá. Deus a abençoará. Até o dia final.

Apesar das incógnitas e perigos da cultura digital; apesar da “esquerda”; apesar da “ultradireita”; apesar dos “homens”; apesar de Satanás e do inferno. Simples assim.

14 respostas em “A Igreja depois da pandemia”

Sim! A vontade soberana de Deus prevalecerá na plenitude dos tempos vividos. Vivemos e viveremos.

Temos como igreja e casa de Deus, o nosso coração e nossas atitudes, perante os mandamentos de Deus. Portanto, a pandemia está servindo para nivelar todos num mesmo nível; e dar a oportunidade de pedir perdão dos pecados cometidos e voltar no caminho certo e seguro do Senhor Jesus Cristo. Os outros que não se preocuparem com a sabedoria e ensino divino serão os “loucos” que nunca terão a vida eterna junto ao Senhor Jesus Cristo, Deus todo-poderoso e dono do Universo.

Sim pastor. A “noiva “ está sendo preparada para os tempos que o Senhor soberanamente já preparou no Conselho eterno do seu coração. Maranata Jesus.

Abençoado texto meu irmão! Estou alinhado totalmente com sua visão. Já disse o Mestre: “os que são meus, ninguém arrebatará das minhas mãos! “

Verdade, Pastor. Muito precioso ler seus comentários. Sinto-me mais perto, nesses dias tão difíceis. Obrigada. Também creio que nada acontece que não esteja nos propósitos de Deus!

Verdade Rev, somos organismos vivos conduzidos por Deus, fazendo parte da igreja levantada por Cristo.

Como é bom saber que Deus está sempre no controle!! E que as suas misericórdias renovam à cada manhã! E que nossa pátria é celestial! Obrigado pastor pela mensagem de esperança!!

Muito bom e real vossa análise de momento e cenário Pastor Misael, que Deus continue abençoando sua vida grandemente.

Como é bom e maravilhoso descansar nas mãos do Deus Soberano que está e sempre estará no comando. Seus planos não serão frustrados e suas palavras Pr. vem sempre nos lembrar com esperança o que nos diz a Palavra de Deus de forma simples e clara. Obrigada pelo seu cuidado e amor com o rebanho do Supremo Pastor.

Creio desta forma tbm pastor, e vemos que a igreja sempre passou por turbulências ( perseguição, fome, peste) e tantas coisas mais, e permanece. Pois é Deus quem a sustenta.
Hoje não será diferente

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