A sombra refrescante da providência

Descanso na verdade da providência. Sem isso eu estaria louco. Há muito desisti da ilusão da autonomia; não defino os detalhes de minha vida; esta flui segundo um propósito maior. Ao mesmo tempo, não tenho como aceitar um determinismo cego; este seria o passo para o absurdo existencialista.

Há tempos em que tudo se encaixa e tempos do caos. Tem sido assim nos últimos 40 dias. Constato a completa impossibilidade de finalizar algumas coisas neste ano, pelo menos como eu queria realizá-las. Frustração, senso de inadequação e ambiente propício ao desalento. Tudo iria muito mal se não fosse a providência.

Deus cuida de mim. Ele “escreve certo por [minhas] linhas tortas”. Formulo planos, mas “a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16.1). Tenho algumas opções: Orgulho realizador, desespero nihilista, pacificação panteísta ou o descanso nos braços carinhosos de um Deus pessoal, Criador, Redentor e Juiz. Creio na providência.

A vida pode parecer incerta, mas existe um caminho; as lutas são árduas mas não fui abandonado no campo de batalha; minha fragilidade é notória, mas plenifica a manifestação da graça de Deus.

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso (Sl 23.1,2).

Quais são as obras da providência de Deus? As obras da providência de Deus são a sua mui santa, sábia e poderosa maneira de preservar e governar todas as suas criaturas e todas as suas ações, para a sua própria glória. Catecismo maior de Westminster, pergunta 18.

Pela sua mui sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho de sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória de sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações delas e todas as coisas, desde a maior até a menor. Confissão de fé de Westminster, 5.1.

Quando estou confuso e cansado, não há nada que eu possa fazer, senão isto; assentar-me debaixo da refrescante sombra da providência.

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