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Apesar dos e-books, o livro impresso continuará existindo

Para Marisa Midori Deaecto, “os livros que depositamos em nossas estantes se tornam indivíduos com suas qualidades e defeitos. Eles são únicos, porque guardam, além de tudo, uma história que é só nossa”.[1] O objeto livro é tão importante para a vida humana que é bem provável que o futuro nos reserve o que é sugerido na série Star Trek: Discovery, produzida e distribuída pela Netflix. Duas cenas do episódio 3 chamam a atenção. Na primeira, enquanto se espreme em um duto de ar, fugindo de uma criatura mortífera, a ex-primeira-oficial da Frota Estelar, Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) pronuncia as seguintes palavras:

O buraco do coelho seguiu como um túnel, depois mergulhou repentinamente, tanto que Alice não teve tempo de pensar em parar, em vez disso, ela se encontrou caindo em um poço muito profundo. Ela tinha agora só vinte e cinco centímetros de altura. Seu rosto se iluminou. Agora tinha o tamanho certo para atravessar a pequena porta para aquele lindo jardim.[2]

Daí ela escorrega por uma abertura e é teletransportada, escapando da morte.

Na segunda cena, a colega de alojamento de Burnham, Sylvia Tilly (Mary Wiseman), se surpreende ao vê-la retirar um objeto de uma sacola de viagem: “Uau, isso é um livro?”.[3] Burnham coloca nas mãos de Tilly um exemplar impresso de Alice no País das Maravilhas. Ela diz que aquele livro era lido por sua mãe adotiva do planeta Vulcano, para que ela compreendesse que nem tudo pode ser resolvido apenas pela razão.[4]

Surpreende o uso de um livro impresso no futuro distante de 2256![5] O esperado, talvez, seria a leitura de textos na tela translúcida de um dispositivo digital. A primeira cena liga o novo Star Trek à literatura universal; a segunda, constrói uma ponte entre as culturas digital e analógica. Uma ponte liga dois lugares que existem. No século 21, livros impressos e livros digitais coexistirão pacífica e produtivamente.


Notas

[1] DEAECTO, Marisa Midori. Bibliomania – vol. 1. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2015, p. 16; grifo nosso.

[2] STAR TREK: DISCOVERY. Produtores: Geoffrey Hemwall, April Nocifora, Aaron Baiers, Jill Danton. Estados Unidos; Canadá: CBS Television Studios, 2017, episódio 1: O olá Vulcano; episódio 3: Contexto é para reis. On-line. Disponível em: <https://www.netflix.com/>. Acesso em: 19 out. 2017, E3, 35:26.

[3] STAR TREK: DISCOVERY, op. cit., 44:33, grifo nosso.

[4] Ibid., 45:00.

[5] Este é o “ano terrestre” mencionado no primeiro episódio da temporada.

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