https://www.misaelbn.com

Deus tem suas razões (parte 1) [Jó 23.1-17]

Sermão pregado na IPB Rio Preto, em 19/04/2020. Versão em PDF (190 KB).

Áudio do sermão

IPB Rio Preto · Deus tem suas razões (parte 1) [Jó 23.1-17]

Texto bíblico: Jó 23.1-17


1 Respondeu, porém, Jó:

2 Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado,
apesar de a minha mão reprimir o meu gemido.
3 Ah! Se eu soubesse onde o poderia achar!
Então, me chegaria ao seu tribunal. 

4 Exporia ante ele a minha causa,
encheria a minha boca de argumentos.
5 Saberia as palavras que ele me respondesse
e entenderia o que me dissesse.
6 Acaso, segundo a grandeza de seu poder, contenderia comigo?
Não; antes, me atenderia.
7 Ali, o homem reto pleitearia com ele,
e eu me livraria para sempre do meu juiz.

***

8 Eis que, se me adianto, ali não está;
se torno para trás, não o percebo.
9 Se opera à esquerda, não o vejo;
esconde-se à direita, e não o diviso.

10 Mas ele sabe o meu caminho;
se ele me provasse, sairia eu como o ouro.
11 Os meus pés seguiram as suas pisadas;
guardei o seu caminho e não me desviei dele.
12 Do mandamento de seus lábios nunca me apartei,
escondi no meu íntimo as palavras da sua boca.

***

13 Mas, se ele resolveu alguma coisa,
// quem o pode dissuadir?
O que ele deseja, isso fará.
14 Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito
e muitas coisas como estas ainda tem consigo.

15 Por isso, me perturbo perante ele;
e, quando o considero, temo-o.
16 Deus é quem me fez desmaiar o coração,
e o Todo-Poderoso, quem me perturbou,
17 porque não estou desfalecido por causa das trevas,
nem porque a escuridão cobre o meu rosto.

Introdução

O texto lido destaca a soberania de Deus. Soberania de Deus é o governo ou domínio divino sobre tudo, como lemos em Salmos 103.19: “Nos céus, estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”.

Na Bíblia, a soberania de Deus caminha de mãos dadas com sua revelação e com seu mistério. Algumas coisas, Deus soberano nos explica (nos revela). Outras coisas, Deus soberano não explica (não revela — pelo menos por enquanto). Moisés fala sobre isso em Deuteronômio 29.29:

As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.

Existe, de fato, um sentido, em que o exercício da soberania (e de nossa parte, a reverência e respeito devidos à divindade) requer inacessibilidade e mistério. Deus soberano não pode ser acessado quando nós queremos — somente quando ele quiser (cf. Sl 27.8-9). Deus não pode ser aberto, dissecado, examinado e criticado pela razão humana. Como lemos no texto do início de nossa liturgia (Is 45.15): Verdadeiramente, tu és Deus misterioso [ARC:[1] Deus que te ocultas; NAA[2] e NVI:[3] Deus que se esconde], ó Deus de Israel, ó Salvador”.

Os capítulos 23 e 24 do livro de Jó são difíceis de traduzir e interpretar.[4] Mesmo assim, nós podemos dizer com segurança que eles enaltecem Deus como soberano. No cap. 23, Jó sublinha a soberania de Deus no trato com ele — Deus sendo soberano na vida de Jó. No cap. 24, Jó sublinha a soberania de Deus no trato com a sociedade de seu tempo — Deus sendo soberano sobre os homens em geral. Nós podemos resumir os dois capítulos (23 e 24) com a frase “Deus tem suas razões”.

Iniciaremos nossa meditação olhando mais de perto para o cap. 23. Na próxima ocasião, aprenderemos mais sobre o cap. 24.

Deus está tratando com Jó. É o que consta em todo o cap. 23. No capítulo anterior, Elifaz acusou Jó de ser imoral (ou seja, transgredir a ética social e dos negócios), deísta (não acreditar em um Deus pessoal que intervém na história) e inconverso (na opinião de Elifaz, Jó tinha de se converter a Deus). Agora Jó começa a responder. Ele inicia mencionando a sua dor (v. 1-2).


1 Respondeu, porém, Jó:

2 Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado,
apesar de a minha mão reprimir o meu gemido.[5]

Deus está tratando com Jó e esta ação de Deus produz três movimentos na alma do patriarca. Primeiro, notamos um desejo (o movimento inicial). Depois, verificamos um sentimento ou percepção (o segundo movimento). Por fim aparece um entendimento amadurecido (o terceiro movimento da alma de Jó).

Vamos prestar atenção no primeiro movimento.

1. Jó desejou se encontrar diretamente com Deus

É o que lemos no v. 3: “Ah! Se eu soubesse onde [ou que, ARC] o poderia achar! Então, me chegaria ao seu tribunal”.

A pergunta central deste movimento é: como Deus me trataria diante de seu tribunal?

O desejo de Jó, de comparecer diante do tribunal de Deus, não decorre de orgulho baseado em justiça própria. Decorre, sim, do fato de Jó acreditar em cinco coisas: [1] Que ele pode contar com um árbitro ou mediador que o reconciliará com Deus (9.33). [2] Que ele, Jó, por graça, será “justificado” (13.18). [3] Que Deus, Justo Juiz o ama, se lembra dele, tem saudades dele e encobre as transgressões dele (14.10-17). [4] Que Deus é a sua testemunha no céu e Deus mesmo é seu advogado de defesa (16.19). E, por fim, [5] Jesus Cristo é o seu Redentor e lhe dará vida eterna e ressurreição no reino consumado (19.25-27). Essa crença dá a Jó uma “intrepidez” — a intrepidez concedida pela graça salvadora — para se colocar diante de Deus, como lemos em Hebreus 10.19.

A graça — o fato de Jó confiar em Deus para sua redenção — faz com que Jó responda à pergunta: Como Deus me trataria diante de seu tribunal? Primeiro, pela graça, Jó seria aproximado, acolhido (23.3). Segundo, pela graça, Jó teria voz diante de Deus; seria ouvido e dialogaria com Deus (23.4-5). Terceiro, ao invés de Deus contender com Jó, Deus o atenderia (23.6 — “ele não me faria acusações” [NVI]; [Deus] “cuidaria de mim” [ARC]; ou o escutaria com “atenção”, BJ, BP e Terrien). Por fim, Jó seria liberto de todas as acusações (23.7).

Este é o primeiro movimento, do desejo. Deus está operando em Jó. Fazendo Jó desejar, movendo Jó para querer buscar (cf. a interjeição “ah!”, v. 3 [ARA e ARC] e a expressão “se tão-somente” [NVI]. Há desejo, anelo. Deus está agindo em Jó, como Paulo explica em Filipenses 2.13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Mas o desejo se choca com um obstáculo. Daí o segundo movimento.

2. Jó percebeu Deus distante e oculto

Este é o segundo movimento da alma de Jó. Do sentimento e da percepção. Apesar de sua devoção, Jó percebe Deus distante (v. 8-12).

A pergunta central deste movimento é: onde está Deus? É um desdobramento daquilo que consta no v. 3 — “ah, se eu soubesse onde o poderia achar!” — e que agora ganha corpo, nos v. 8-9):


8 Eis que, se me adianto, ali não está;
se torno para trás, não o percebo.

9 Se opera à esquerda, não o vejo;
esconde-se à direita, e não o diviso.

Deus não aparece. Não se deixa encontrar. Não se faz percebido. Não pode ser visto. Está oculto. Deus está tratando o coração de Jó fazendo uso do ocultamento. Deus trata de nosso coração às vezes se revelando, às vezes se ocultando. Às vezes, quando quase morremos de chorar, são as pessoas que nos cercam que percebem essa suposta ausência de Deus, como lemos em Salmos 42.3: “As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: O teu Deus, onde está?” Nessas horas, pode parecer que Deus se esqueceu de nós, como diz o mesmo salmista, em Salmos 42.9: “Digo a Deus, minha rocha: por que te olvidaste [te esqueceste, ARC] de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?”

Nos v. 10-12, Jó declara que esta experiência — de buscar a Deus e Deus parecer oculto — está acontecendo exatamente agora, quando ele, Jó, tem plena certeza de estar caminhando com Deus. O resultado da verificação da integridade de Jó seria o mais alto possível (v. 10):


Mas ele sabe o meu caminho;
se ele me provasse, sairia eu como o ouro.

Jó tem convicção de que tem seguido o caminho de Deus (v. 11).


Os meus pés seguiram as suas pisadas;
guardei o seu caminho e não me desviei dele.

E Jó acredita que está obedecendo às orientações de Deus (v. 12).


Do mandamento de seus lábios nunca me apartei,
escondi no meu íntimo as palavras da sua boca.

É exatamente esta certeza, de estar caminhando com Deus neste mundo, mesmo sem senti-lo, vê-lo ou desfrutar de um milagre ou sinal impactante, que nos ajuda a responder à pergunta: onde Deus está?

Ora, Deus está com Jó e em Jó. Escondido. Por ora, silencioso. Mas não inativo. Jó está passando pela prova. Vejamos, ele continua pisando as pisadas de Deus! Ele não se apartou da fé. Continua escondendo as palavras de Deus em seu coração. Jó não daria conta de continuar firme se Deus não estivesse agindo nele e por ele. Deus está presente, ainda que, aparentemente oculto. Ainda que sem manifestar coisas sensacionais aos olhos do próprio Jó e seus amigos.

Mas algo sensacional, algo maravilhoso, algo impressionante, de fazer “cair o queixo” está acontecendo. Em um depósito de lixo da terra de Uz existe um homem esquelético, malcheiroso, falido, doente, enlutado, desvalorizado pela cidade e pelos amigos, misturado às cinzas. E ele continua crente. Ele continua vivo em Deus e por Deus. Milagre dos milagres, Deus está presente! Em Jó. No sofrimento!

O segundo movimento termina e somos encaminhados para o movimento seguinte.

3. Jó chegou a um entendimento amadurecido de Deus

Chegamos finalmente, ao terceiro movimento — o movimento de entendimento amadurecido na alma.

A pergunta central deste movimento é: o que Deus está fazendo em minha história?

Jó entende que Deus está fazendo com ele aquilo que, soberanamente, decidiu fazer (v. 13-17). A soberania de Deus sobre a vida de Jó é destacada nos v. 13-14. No v. 13 nós lemos:


Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir?
O que ele deseja, isso fará.

A ARC traduz o v. por um ângulo de enfrentamento:


Mas, se ele está contra alguém, quem, então, o desviará?
O que a sua alma quiser, isso fará.

A NAA traz um texto mais neutro:


Mas, se Deus resolveu alguma coisa,
// quem o pode convencer a mudar de ideia?
O que ele quer, isso fará.

E a NVI nos brinda com uma composição digna de menção:


Mas ele é ele! Quem poderá fazer-lhe oposição?
Ele faz o que quer.

Você compreendeu a doutrina? Ele é ele! Deus é Deus. Deus resolveu algumas coisas acerca de Jó e também acerca de nós. Ponto final. Jó olha para sua vida e constata: “Ele é ele!” A gente pode olhar para as vitórias e declarar: “Ele é ele!” E a gente pode olhar para as lutas e declarar: “Ele é ele!”. E a gente pode olhar para as derrotas e dizer: “Ele é ele!”

Entendimento amadurecido da vida. Entendimento amadurecido de Deus. Agora, amadurecido, Jó entende que não apenas Deus cumprirá tudo o que ordenou a respeito dele, mas também sabe que Deus ainda tem outras coisas, ainda não reveladas, a fazer em sua vida (v. 14).


14 Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito
e muitas coisas como estas ainda tem consigo.

O resultado disso tudo — do modo como Deus está tratando com Jó — é o temor do Senhor (v. 15-17). Apesar do “temor do Senhor” ser muito mencionado nos livros poéticos do Antigo Testamento, a instalação do temor do Senhor em nosso coração não é suave nem necessariamente poética. Pelo contrário, ordinariamente acontece pela via da perturbação (v. 15).


Por isso, me perturbo perante ele;
e, quando o considero, temo-o.

De fato, Jó é conduzido ao temor do Senhor por meio do desmaio do coração e do pavor (v. 16).


Deus é quem me fez desmaiar o coração,
[ARC: Porque Deus macerou o meu coração]
[NAA: Deus é quem fez o meu coração esmorecer]

e o Todo-Poderoso, quem me perturbou.
[NVI: o Todo-poderoso causou-me pavor]

Este temor do Senhor, para Jó, é mais desconcertante do que as tribulações (v. 17).


Porque não estou desfalecido por causa das trevas,
nem porque a escuridão cobre o meu rosto.

Este último movimento da alma de Jó o faz capaz de responder à pergunta: o que Deus está fazendo em minha história? Deus está fazendo a vontade dele (v. 13-14). E o propósito de Deus para minha vida, neste momento, pode ser exatamente produzir desconcerto. Susto. Temor. Não é bem o que eu queria. Nem o que eu previa. Eu não orei pedindo por isto. Por mim mesmo, eu jamais desejaria isto. Mas Deus desejou: “O que ele deseja, isso fará. […] ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito” (v. 13-14). E isso pode esgotar. Nos deixar desmaiados, desfalecidos, tomados pelo temor de Deus.

Este é o movimento de entendimento amadurecido na alma. Deus está fazendo com Jó aquilo que, soberanamente, Deus decidiu fazer. E o resultado final disso, na alma de Jó, é o temor do Senhor.

Dito isto, prossigamos para as aplicações da conclusão.

Concluindo…

Jó desejou se encontrar diretamente com Deus. Jó percebeu Deus distante e oculto. Jó chegou a um entendimento amadurecido de Deus. Anexadas a estas declarações, temos três questões: Como Deus me trataria diante de seu tribunal? Onde está Deus? O que Deus está fazendo em minha história?

[1] Uma evidência de Deus agindo em nós, é o desejo de estar na presença de Deus. De tratar das questões de nossa vida diretamente com Deus. Desejo de estar com Deus, de falar com Deus e de ouvir a Deus. Desejo de ter comunhão com Deus, viva, não uma comunhão baseada em superstição ou em religião inventada pelos homens. Comunhão baseada em Jesus Cristo, pelo “novo e vivo caminho”, aberto por Jesus Cristo com o seu sangue, derramado por nós na cruz (Hb 10.20). Comunhão tornada possível quando nossas consciências, nossas vestes e nosso corpo são lavados no sangue de Jesus. Quando nós somos cobertos pela justiça de Jesus Cristo. Comunhão que nos encaminha para a dedicação de nossa vida. Que nos move para a santificação. E para o serviço a Deus e uns aos outros em amor.

Vamos pedir ao Senhor que nos dê isso.

Vamos clamar a ele; vamos suplicar ao Senhor que amoleça nosso coração, ilumine nossa mente e mova nossa vontade. Peçamos a Deus que ele mesmo, por sua graça e poder, nos atraia e nos volte para ele. Que ele nos dê coração que tem fome e sede dele. E que encontremos nele todo deleite e satisfação! E que, satisfeitos nele, vivamos para ele!

[2] E saibamos que, em determinadas circunstâncias, Deus pode parecer mais distante. Ou oculto. Nessas horas, nossa inclinação é de desanimar. Perder o ritmo da devoção. Deixar de seguir as pisadas de Jesus. Nos desviar dos caminhos dele. Nos apartar dos mandamentos de seus lábios. Deixar de esconder as palavras de Deus em nosso coração.

Onde está Deus quando nós não sentimos Deus? Onde está Deus quando nós não o vemos, nem ouvimos com nossos ouvidos físicos? Nem o percebemos no ajuntamento e rituais da igreja?

Ele está, primeiro, em sua Palavra, inspirada por seu Espírito. E ele está em nós, também na pessoa do Espírito Santo. E o Espírito Santo, em nós, é poderoso para nos salvar, santificar e consolar; daí a necessidade de ler, estudar e meditar nas Sagradas Escrituras, nestes tempos de pandemia.

As circunstâncias estão difíceis? Deus não está lhe dando nenhuma experiência marcante e sobrenatural? Deus parece não estar dando atenção, muito menos respondendo suas orações? Parece que, nestes tempos de quarentena, por conta do novo coronavírus, a vida com Deus perdeu a cor, o sabor e a empolgação? Vamos pedir a Deus que nos dê firmeza. Nos faça fiéis. Nos ajude a ser coerentes. Peçamos perdão pelas incoerências. Pelas vezes em que entristecemos o Senhor com nosso testemunho confuso e fraco. Em nossa confusão, maldade e fraqueza, olhemos para Jesus, aquele que enfrentou as “aflições” (Jo 16.33) e é tanto “Autor” quanto “consumador da fé” (Hb 12.2).

[3] Por fim, o fruto amadurecido do trato de Deus para conosco é nós entendermos que tudo devemos à sua soberania. Sabermos que ele tem um plano para nós. E o está levando adiante para glória dele e nosso bem. Mesmo que, no presente momento, a execução deste plano seja, para nós, desconfortável. Ou até dolorosa. Ficar fechado em casa. Receber notícias diárias de sofrimento e morte. Perder renda e paz. Limitar, modificar ou abandonar planos. Nós pensamos nestas coisas e concluímos que nada disso é desejável.

Daí, nós olhamos para Jó 23.14. Ou para a petição ensinada por Jesus, em Mateus 6.10:


Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito
e muitas coisas como estas ainda tem consigo (Jó 23.14).

Venha o teu reino; faça-se a tua vontade,
assim na terra como no céu (Mt 6.10).

Deus tem suas razões. Que o Senhor nos conduza a este entendimento.

Notas

[1] ARC: Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Corrigida.

[2] NAA: Bíblia Sagrada, Nova Almeida Atualizada.

[3] NVI: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional.

[4] Até as versões bíblicas mais conservadoras e apegadas aos originais, como ARA e ARC, bem como traduções contemporâneas de boa qualidade, tais como NAA e NVI, chegam a resultados diferentes, pois há divergência significativa entre o Texto Massorético, a Versão Siríaca e a Septuaginta, além de trechos mal conservados, que dificultam a leitura. Uma nota da Bíblia do Peregrino (BP) define o cap. 23 como “denso e patético” e entende a tentativa de Jó de buscar a Deus de “frustrada”, seguida de uma visão pessimista da vida e sociedade humana, no cap. 24 (p. 1106). Em algumas Bíblias católicas (como a Bíblia de Jerusalém ou a Bíblia do Peregrino), os tradutores modificam a ordem dos versículos. Ademais, alguns sugerem que as palavras dos v. 18-25 (do cap. 24) não foram proferidas por Jó e devem ser entendidas como uma intervenção de Zofar; cf. Bíblia Edição Pastoral e TERRIEN, Samuel. . São Paulo: Paulus, 1994, p. 200-202. (Coleção Grande Comentário Bíblico). No sermão, de modo geral, exponho o texto conforme a ARA (Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada).

[5] As traduções do v. 2 sugerem significados diferentes. ARA, NAA e Bíblia de Jerusalém dizem que Jó está se segurando para não gemer. NAA: “Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado, apesar de a minha mão reprimir o meu gemido”. BJ: “Ainda hoje minha queixa é uma revolta; minha mão comprime meu gemido”. Para a ARC, A21, NVI, Bíblia Pastoral, BP e Terrien, Jó geme, quanto mais o seu sofrimento se torna pesado ou se agrava. ARC: “Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a violência da minha praga mais se agrava do que o meu gemido”. A21: Até hoje a minha queixa é cheia de amargura; o peso da mão dele é maior que o meu gemido”. NVI: “Até agora me queixo com amargura; a mão dele é pesada, a despeito de meu gemido”. Bíblia Pastoral: “Ainda hoje me queixo e me revolto, porque a mão de Deus agrava os meus gemidos”. BP: “Hoje também eu me queixo amargamente, porque sua mão agrava meus gemidos”. Terrien: “Hoje minha queixa é uma revolta; o peso de minha mão me força a gemer!”.

Referência bibliográfica

TERRIEN, Samuel. . São Paulo: Paulus, 1994. (Coleção Grande Comentário Bíblico).

Categorias: Bíblia

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *