Skip to content

Educação cristã afetiva e efetiva (parte 2)

Educação cristã afetiva e efetiva (parte 2)

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter

Congresso de Educação Cristã Região Nordeste. 07/09/2019, 14h.

Introdução

Boa tarde a todos. Não há nada melhor do que almoçar uma comida leve e estar, às 14h, com a mente, o coração e o corpo bem-dispostos, atentos e energizados, para participar de uma plenária sobre educação cristã.

Pensamos no tema deste congresso — A Vida na Família de Jesus: Uma Igreja Afetiva e Efetiva — daí eu disse, ontem, que de acordo com a Bíblia, a educação efetiva é sempre afetiva. Chegou a hora de prosseguir, destacando que a educação cristã afetiva e efetiva exige um ambiente e agentes educadores afetivos e efetivos. Demonstrarei isso trilhando o seguinte roteiro:

Primeiro, esclarecerei o que eu quero dizer com educação cristã afetiva e efetiva. Segundo, relacionarei o que vimos até agora com o tema de nosso congresso — A Vida na Família de Jesus: Uma Igreja Afetiva e Efetiva, sugerindo, com base em Atos 2.42-47, que a igreja é o ambiente onde a educação cristã afetiva e efetiva toma forma. Terceiro, apresentarei a prática da educação cristã afetiva e efetiva nos ministérios de nosso Senhor Jesus Cristo e do apóstolo Paulo. Na conclusão, mui rapidamente, proporei um perfil bíblico e contemporâneo do agente educador afetivo e efetivo.

Antes que você confunda esta plenária com sua hora da soneca após o almoço — corramos para o primeiro ponto.

I. O que é educação cristã afetiva e efetiva

Educação afetiva e efetiva é um tema “da hora”. De modo geral, “educação é aprendizado propício. A educação é um aprendizado guiado e pretendido”.[1] Educação afetiva e efetiva é compreendida como educação para a pessoa inteira e para a vida inteira.

A educação afetiva tem em vista ajudar o indivíduo a desenvolver segurança emocional, autoestima, autocontrole e conexão social. Educação efetiva é a que promove aprendizagem, sendo que Vandenbos define aprendizagem como:

O processo de aquisição de informação, padrões de comportamento ou capacidades novas e relativamente duradouras, caracterizado por modificação de comportamento como resultado de prática, estudo ou experiência.[2]

A educação efetiva é a educação que vale a pena (figura 1).

Educação que vale a pena

Figura 1. A educação que vale a pena.[3]

As experiências de aprendizagem são muitas e de diferentes configurações. O Rev. Augustus chamou nossa atenção, hoje cedo, para o desafio tecnológico. Nós, cristãos reformados, não devemos temer a tecnologia, porque, via de regra, protestantes magisteriais, especialmente os calvinistas, abraçam a teologia pactual que informa sobre um mandato cultural. A Reforma Magisterial do século 16 fez uso da prensa móvel — uma das tecnologias mais recentes da época — para imprimir e divulgar a Palavra de Deus por toda a Europa. Nós, educadores cristãos não devemos temer a tecnologia, porque, via de regra, educadores cristãos são pioneiros no seu uso. Basta lembrar dos missionários americanos no sertão nordestino e também no interior do Brasil, com seus toca-discos a manivela e flanelógrafos, que deixavam as pessoas boquiabertas é muito interessadas naquilo que eles ensinavam. O que importa, no fim das contas, é que Deus nos ajude a, independentemente do recurso que utilizemos, sermos agentes de uma educação cristã afetiva e efetiva — uma educação que vale a pena! A educação que vale a pena é aquela que permanece, que é fixada no indivíduo como boa, transformadora e relevante.

A educação efetiva se preocupa com a edificação de um alicerce conceitual sólido. Além disso, com o cultivo e desenvolvimento de habilidades ou competências práticas — que capacitem o indivíduo a viver da melhor maneira possível no mundo contemporâneo. Por fim, a educação efetiva forma não apenas alunos, mas aprendentes, pessoas competentes e motivadas para prosseguir aprendendo e crescendo ao longo da vida.

Mortimer Adler parece descrever isso quando diz que:

O aprendizado humano é um assunto variado que lida com o aprendizado emocional, como nós mudamos e cultivamos nossas emoções; com o aprendizado moral, como nós formamos nosso caráter moral; e com o aprendizado intelectual, como nós melhoramos e mantemos nossa mente.[4]

A educação cristã afetiva e efetiva não dispensa os discernimentos úteis advindos dos estudos contemporâneos, mas assume desde o início que é distinta em cinco aspectos:

(1) Se encarrega da Palavra de Deus inerrante, infalível e suficiente, ou, dito de outro modo, do evangelho em toda a Bíblia.

(2) É encaminhada pelo Espírito Santo, realizando Jeremias 31.31-34; Ezequiel 36.22-26; Joel 2.28-32 e João 14.16-17, 25-26; 16.7-15, ou seja, por melhores e mais atrativas que sejam as técnicas de instrução, quem torna a Palavra de Deus efetiva e produz amor a Deus no coração é a bendita Terceira Pessoa da Trindade. A educação cristã afetiva e efetiva tem a ver com a ação de Deus na alma: salvação, santificação e consolação trazidos para a experiência do eleito — o Espírito Santo aplicando a Palavra em nós e nos configurando segundo Cristo. Educação cristã afetiva e efetiva não apenas adiciona informações à memória, mas transforma o ser humano como um todo, capacitando-o a conhecer, amar e servir a Deus — a pensar, sentir e agir conforme o evangelho. Ratificando a fala de ontem, a educação cristã afetiva e efetiva encaminha a alma a, pelo Espírito Santo, responder a Deus com amor. Este é o segundo aspecto.

(3) Terceiro: É encaminhada por agentes educadores chamados e capacitados pelo Espírito Santo (Jr 3.15; Ef 4.7-16; Rm 12-6-7; 1Co 12.28).

(4) Ocorre, primariamente, em dois contextos divinamente estabelecidos: o da família biológica e o da família da fé (a igreja).

Por fim, (5) os modos de operação ou implementação da educação cristã afetiva e efetiva são três: [1] Formal e informalmente. [2] A toda hora (ao deitar-se, ao levantar-se, ao caminhar). [3] Em todo lugar (em casa, pelo caminho; uns com os outros nas interações da igreja). Eis os diferenciais da educação cristã afetiva e efetiva.

O que fizemos até aqui? Nós vimos o que é educação cristã afetiva e efetiva. Isto feito, prossigamos para o segundo ponto, ou seja…

II. A igreja é o ambiente onde a educação cristã afetiva e efetiva toma forma

Isso combina com aquilo que foi sugerido por um educador cristão, Larry Richards. Ele entendia que: A situação ensino-aprendizagem exige um modelo humano. Nós somos beneficiados, do ponto de vista educacional ou do discipulado, se tivermos uma pessoa que nos mostre, na prática, o que significa viver Deuteronômio 6.4-9 e o que quer dizer ser salvo por Jesus, amá-lo e servi-lo todos os dias. Repetindo, para que ocorra a educação cristã afetiva e efetiva, é necessário alguém com as palavras de Deus no coração, que “conheça pessoalmente a realidade da verdade ensinada” e disposto a compartilhar isso com outras pessoas — um discipulador ou educador.

Além disso, dizia Richards, tal pessoa deve ensinar no contexto de uma relação familiar amorosa, experimentada entre o povo de Deus, a igreja.[5] Isso parece constar em Atos 2.42-47:

42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no
partir do pão e nas orações. 43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e
sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. 44 Todos os que creram estavam
juntos e tinham tudo em comum. 45 Vendiam as suas propriedades e bens,
distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. 46
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e
tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a
Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes
o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Os cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, eram sinceros em sua dedicação a Deus e agraciados por ele, que acrescentava pessoas dia a dia. A Palavra de Deus estava no centro. O Espírito Santo estava no comando. Os cristãos usavam os meios de graça com fervor, “diariamente”, com “perseverança” e “unânimes” (v. 46). O modo de vida da igreja promovia educação cristã. A educação cristã afetiva e efetiva prosperou no contexto de uma igreja local consistente com o evangelho. Ao pensar na fidelidade e sinceridade daquela igreja, eu me lembro de um trecho do hino Sempre Vencendo, do Hinário Novo Cântico:

Não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor.
Mas dos fiéis e sinceros que seguem junto ao Senhor
(Hino 49, Sempre Vencendo).

Que possamos, como educadores cristãos, “seguir junto ao Senhor”, em fidelidade e sinceridade. Que o evangelho para nós não fique encerrado no intelecto, sem afetar o restante de nossa personalidade — nossos afetos e nossas ações. E que a prática do evangelho promova educação cristã afetiva e efetiva e isso sob a bênção de Deus; vidas salvas e acrescentadas dia a dia.

João Crisóstomo leu Atos 2 e escreveu o seguinte:

Aquilo era uma comunidade angelical. Eles não consideravam
exclusivamente deles nenhuma das coisas que possuíam. Imediatamente foi cortada
a raiz dos males. Ninguém acusava, ninguém invejava, ninguém tinha
ressentimentos, não havia orgulho nem desprezo. Naquela igreja o pobre não
sabia o que era vergonha e o rico não conhecia a arrogância.[6]

No século 2, a igreja ainda guardava semelhança com a igreja de Atos 2. Em sua Apologia, Aristides escreve sobre os crentes:

Eles andam em toda humildade e amabilidade. Não se encontra mentira no meio deles. Eles amam-se uns aos outros.[7]

E ainda:

Se existe entre eles algum pobre ou necessitado, e eles não têm nada sobrando, então eles jejuam dois ou três dias, para dar ao necessitado o necessário em alimento.[8]

Um estudioso reflete sobre este padrão da igreja do NT, e declara:

O que se tem em mente não é uma igreja em que não haja culpa, mas uma igreja na qual da culpa perdoada cresce esperança infinita.
O que se tem em mente não é uma igreja em que não haja divisões, mas uma igreja que encontra reconciliação por cima de todos os abismos.
O que se tem em mente não é uma igreja em que não haja mais conflitos, mas uma igreja que resolve os conflitos de maneira diferente da sociedade restante.
O que se tem em mente, por fim, não é uma igreja em que não haja mais cruz nem histórias de sofrimentos, mas uma igreja que constantemente pode festejar a Páscoa, porque ela morre, na verdade, com Cristo, mas também ressuscita com ele.[9]

Uma igreja assim produz uma influência educadora profunda em seus frequentadores e membros.

Atos 2 inicia com o evento do Pentecostes, prossegue com o sermão de Pedro e conclui com a vida da igreja. Esta ordem — Espírito Santo » Evangelho » Igreja — não é incidental. A educação cristã exige a igreja. Sem uma igreja consistente com o evangelho, a educação cristã não prospera.

Vejamos agora como isso se relaciona com os ministérios de nosso Redentor e do apóstolo Paulo.

III. O Senhor Jesus Cristo e o apóstolo Paulo foram educadores afetivos e efetivos

Só este tópico já renderia um congresso. “Remindo o tempo” (Ef 5.16) avançaremos em voo rasante sobre algumas passagens da Escritura. Pensemos em nosso Senhor Jesus Cristo, que dedicou grande parte de seu ministério ao ensino (Mt 5.1-2; 7.28-29; 13.54; Mc 2.13; 4.2; 9.31; Lc 5.3; 6.6; 6.59; 7.14). Marcos 10.1 fala sobre Jesus ensinando “segundo seu costume”.

Ele ensinava na sinagoga, no templo, em casas, ao ar livre, no caminho, a multidões, a grupos pequenos e a indivíduos. Enquanto ministrava a todos, estava em andamento a educação dos apóstolos no contexto de uma relação amorosa, no discipulado. Ele ensinava (ou seja, empreendia educação efetiva) em amor (quer dizer, ele educava afetivamente): “E Jesus, fitando-o, o amou e disse […]” (Mc 10.21b). De fato, Jesus amou os seus discípulos “até o fim” (Jo 13.1). E o amor dele é padrão para o amor mútuo entre os discípulos (Jo 15.12 — “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”). Jesus se assumiu como amigo deles (Jo 15.13-15). E enquanto caminhavam juntos, ele demonstrou emoções: indignação (Mc 10.14), tristeza (Mt 26.38) e choro (Lc 19.41-44; Jo 11.35). Quanto mais Jesus ensinava, mais ele se dava a conhecer, mais ele se revelava aos discípulos. No fim do processo, pela operação do Espírito Santo, os discípulos foram salvos, santificados (amadurecidos) e capacitados a prosseguir crescendo “na graça e no conhecimento” de Jesus, dando a ele “a glória, tanto agora como no dia eterno”, como lemos em 2Pedro 3.18. Em suma, a educação empreendida por Jesus foi afetiva e efetiva.

Ponderemos, agora, em Paulo. Os relatos em Atos, bem como as cartas do NT são suficientes para informar sobre sua bagagem bíblica e teológica, bem como sobre sua capacidade de argumentar, explicar e esclarecer tópicos complexos, qualificando-o como educador proficiente. Mesmo assim, não podemos deixar de mencionar que Paulo admoestava não apenas com doutrina, mas também com lágrimas (At 20.31). Ele não interagiu com os gálatas como um mestre distante, mas como um irmão, um amigo e — de modo impressionante — sentido “dores de parto, até Cristo ser formado neles” (Gl 4.12, 16, 19). Ademais, Paulo externou desalento e perplexidade em Gálatas 4.11, 20, ou seja, enquanto ensinava, Paulo se desvelava como pessoa inteira. Em 1Tessalonicenses 2.1-12, Paulo descreveu sua estada entre os irmãos com linguagem tanto maternal quanto paternal, comparando-se a uma “ama que acaricia os próprios filhos” (v. 7). Vejamos o que ele diz nos v. 11-12 (NAA):

11 E vocês sabem muito bem que tratamos cada um de vocês como um pai trata os seus filhos, 12 exortando, consolando e admoestando vocês a viverem de uma maneira digna de Deus, que os chama para o seu Reino e a sua glória.

Para completar, Paulo enfatizou que o Espírito Santo concede a alguns o dom de ensino, e aqueles que o recebem devem se dedicar à tarefa (Rm 12.6-7; 1Co 12.8, 28). Em suma, a educação empreendida por Paulo foi afetiva e efetiva.

Se isso é assim, e agora correndo mais do que nunca, chegou o momento de concluir…

Concluindo…

Hoje nós vimos o que é a educação cristã afetiva e efetiva. Em seguida, verificamos que a igreja é o ambiente onde esta educação toma forma. Por fim, constatamos que tanto nosso Senhor Jesus Cristo, quanto o apóstolo Paulo, praticaram educação afetiva e efetiva.

Desde ontem eu me esforço para convencer você de que as duas ideias propostas nestas plenárias são dignas de nossa atenção. Primeira ideia: a educação efetiva é sempre afetiva. Segunda ideia: a educação cristã afetiva e efetiva exige um ambiente e agentes educadores afetivos e efetivos.

Isso é assim porque Deus educa o seu povo. Ele nos alcança e ensina, efetivamente e afetivamente. E aqueles a quem ele dota e designa para serem educadores, ensinam como seres humanos inteiros a outros seres humanos inteiros, constituídos tanto de intelecto, quanto de emoções.

Isso deveria chamar nossa atenção, porque muito se tem falado, em diferentes campos de estudo, sobre o fato do ser humano não interagir com a vida apenas intelectualmente. De fato, áreas distintas de pesquisa têm sugerido que grande parte de nossas decisões ou ações são significativamente afetadas por nossas emoções. Nós lemos estas pesquisas pensando na segurança da Palavra de Deus: O principal mandamento é amar a Deus; o segundo é amar o próximo (Mc 12.29-31). E amar, como gostamos de ratificar, não é somente uma experiência emocional, mas um ato da vontade renovada pelo Espírito Santo — ação em obediência à Bíblia. No entanto, biblicamente, amar enseja muitas emoções: compaixão, alegria, tristeza, dor, zelo (ou ciúme) e até ira. O amor bíblico é algo forte e inteiro, por mais que tentemos separá-lo em “tipos” e “categorias”, com base nos diferentes vocábulos utilizados na Escritura para descrevê-lo. “Coração”, “alma” e “força” (ou “poder”; ARC) são envolvidos no ato de amar (Dt 6.5). Não é sem razão que Paulo usa uma linguagem às vezes visceral, falando sobre “entranhados afetos”, em Filipenses 2.1 (“afeto profundo”, NAA ou “profunda afeição”, NVI) e às vezes suave, falando sobre “ternos afetos”, em Colossenses 3.12 (“profunda compaixão”, NAA e NVI).

Nossa tradição calvinista e puritana não desconsidera os afetos ou emoções. Os pais puritanos tinham as palavras de Deus na cabeça e no coração. Tanto o “conceito” quanto o “fogo”; como cantamos no Hino 97, mencionado ontem, eles tinham o peito tocado pela “chama viva” de Cristo. O Espírito, tornando as verdades lidas verdades vivas. O Espírito fez de nossos pais na fé cristãos práticos.[10] Deus operou neles fidelidade doutrinária que imbricou em fidelidade moral. Parafraseando Charles Reade, crença que conduziu a atos; atos que conduziram a hábitos; hábitos que conduziram a caráter e caráter que conduziu a um destino.[11] Educação cristã afetiva e efetiva.

A educação cristã afetiva e efetiva implementa uma devoção perseverante, uma disposição contínua de retornar às Sagradas Escrituras e se apegar ao evangelho puro e vivo. A meta final desta educação é a prática da confissão shemá no discipulado de Jesus Cristo. Por isso ela é informativa e formativa; o ambiente do ensino cristão (a igreja no culto público, na escola dominical, no grupo de estudo ou nas interações informais) deve capacitar o crente a ser, saber e fazer. Graham Butt afirma que:

A aprendizagem de conceitos das diferentes áreas do conhecimento, vazios de sentido e aplicabilidade, tem pouco valor em face das demandas da sociedade contemporânea. Daí a preocupação com a formação de indivíduos que aprendam não só conceitos (SABER), mas, também, procedimentos (SABER FAZER) e atitudes (SABER SER).[12]

Esse trinômio (saber — saber fazer — saber ser) é implementado pelo Espírito Santo iluminando o entendimento e aplicando a Palavra de Deus ao coração (Fp 2.13; cf. Jo 14.26; 16.7-15; At 16.14; Rm 10.17; 1Co 2.14; 2Co 4.6).[13] A educação cristã afetiva e efetiva é implementada com o agente educador conectando o aluno ao conteúdo transformador da Bíblia.

Isso nos coloca diante da coisa penúltima. Educação afetiva e efetiva demanda não apenas qualidade do ensino, mas também qualidade dos professores. O que dizer dos agentes educadores? O que se espera deles? Segue um perfil com dez qualidades do professor que deseja educar afetiva e efetivamente.

  1. Que ame ao Senhor (Dt 6.4-9).
  2. Que ame a Palavra do Senhor e faça bom uso dela (Sl 19.7-11; 119.97; 2Tm 2.15).
  3. Que conheça e sempre estude a teologia sadia (Tt 1.9).
  4. Que seja comprometido com o mandato discipulador de Jesus Cristo (Mt 28.18-20).
  5. Que pratique a oração (Sl 55.17; 119.147-148, 164; Hino 129).
  6. Que busque continuamente ser cheio do Espírito Santo (Jo 16.7-15; At 1.8; Ef 5.18-21).
  7. Que tenha e não negligencie o dom de ensinar, e o exerça bem, por e com amor (Rm 12.6-7; 1Tm 4.14; 1Co 13.1-3).
  8. Que aproveite todas as oportunidades para aperfeiçoar suas competências e habilidades de ensino.
  9. Que busque estabelecer com cada aluno, uma relação de interesse sincero e amor fraternal.
  10. Que nesta relação, demonstre não apenas seus conhecimentos, mas também, quem é e como age, como cristão.

Um professor assim educa como Jesus (cf. At 1.1), fazendo (gr. poiein; “executando”; “praticando”) e ensinando (gr. didaskein, “provendo instrução”) a verdade de Deus.

Estamos quase chegando ao fim. Já é possível enxergar uma grande bandeira com a palavra CAFÉ! Mas antes do café, vamos pensar juntos novamente. Você é capaz de, agora mesmo, fazer uma lista dos educadores que marcaram sua vida? Tente fazer isso agora. Como não estamos em uma oficina, nossa interação é limitada, mas eu me arrisco a dizer que, provavelmente, os nomes que você anotou foram marcantes por algumas razões:

  • Alguns deles conquistaram sua atenção pelo fato de serem entusiasmados pela disciplina que ensinavam. Eles não demonstravam apenas domínio intelectual do assunto, mas uma vibração, uma animação e paixão que acendeu em você — aluno — uma chama de interesse.
  • Talvez o professor que marcou sua vida olhou respeitosamente para você como pessoa, motivando-o a crescer, ajudando-o em suas dificuldades, funcionando como instrutor e como amigo.
  • Ou ainda, você foi impactado por um detalhe da vida do professor, algo que chamou sua atenção e fez dele inesquecível.

Os educadores que nos marcaram praticaram educação afetiva e efetiva. Eu tenho minha lista:

  • Gracimar, minha professora da 4ª série do ensino fundamental (hoje se diz 5º ano).
  • Woxton, meu primeiro professor de classe de adolescentes.
  • Geni Souza, também professora de classe de adolescentes.
  • Suetânia Rios, amiga e professora de classe de mocidade.
  • Presb. Joãozinho, professor da ED.
  • Rev. Sérgio Barbosa, sermões e aulas.
  • Rev. Francisco Lúcio Pereira, sermões e aulas.
  • Pr. Dewey Mulholand, lecionando sobre Marcos e Romanos.
  • Pr. Isaltino Gomes, lecionando sobre técnicas de pregação (a antiga homilética).
  • Pr. Glen Johnson, lecionando sobre Cântico dos Cânticos.
  • Pr. Karl Roland Janzen, lecionando sobre missões.
  • Presb. Rubem Amorese, lecionando sobre formação de líderes.
  • Rev. Francisco Leonardo, lecionando sobre liderança.
  • Rev. Hermisten Maia, lecionando sobre adoração.
  • Rev. Samuel H. Larsen, lecionando sobre o ministério pastoral num mundo globalizado.
  • Rev. Mauro Meister, lecionando sobre Cristo no AT.
  • Rev. Elias Medeiros, pregando ou lecionando sobre evangelização.
  • Rev. Cláudio Marra, lecionando sobre discipulado.
  • Presb. José Francisco Gandolfi, lecionando sobre família.
  • Presb. Antônio, lecionando sobre cristianismo e liberdade econômica.

Estas pessoas comunicaram (e algumas ainda comunicam) verdade viva. Luz e calor. Todas estas deixaram (e continuam deixando) suas boas marcas em minha vida. Eu fui e tenho sido discipulado por elas. Todos elas são, para mim, educadoras afetivas e efetivas.

Minha convicção é: a obra de Jesus Cristo continua na história por meio de educadores cristãos — crentes simples, dependentes do Espírito Santo, dispostos a discipular (ensinar). Gente alcançada pelo amor de Deus; transbordante deste amor. E que, capacitada por graça, ama a Deus de volta. Corresponde ao amor dele. Daí, reparte este amor com outros, atualizando Deuteronômio 6.4-9. Educadores cristãos imperfeitos, ensinando sobre o Perfeito. Educadores cristãos mortais, lecionando sobre o Eterno. Educadores cristãos pecadores, doutrinando sobre aquele que é Santo. Educadores cristãos pequenos e fracos, apregoando o Deus Grande e Forte.

Que nosso Senhor tenha misericórdia de Deus, e com graça, faça de nós educadores afetivos e efetivos. Mais uma vez, agradeço a Deus por esta oportunidade. Registro também minha gratidão e súplica em favor do Conselho de Educação Cristã e Publicações da IPB (CECEP), bem como da Editora Cultura Cristã, pela realização deste Congresso. Por fim, agradeço a você, presente neste plenário, por sua participação preciosa. Obrigado a todos! Vamos orar.

Texto em PDF (90 KB).



[1] EDUCOLOGY: KNOWLEDGE OF EDUCATION. Disponível em: <http://educology.iu.edu/education.html>. Acesso em: 10 ago. 2019.

[2] VANDENBOS, Gary R. (Org.) Dicionário de Psicologia da APA American Psychological Association. Porto Alegre: Artmed, 2010, p. 89.

[3] EDUCOLOGY, op. cit., loc. cit.

[4] ADLER, J. Mortimer. Como Pensar Sobre as Grandes Ideias. São Paulo: Realizações Editora Ltda., 2013, p. 206. Grifos nossos.

[5] RICHARDS, Larry. La Educación Cristiana de la Iglesia Hoy y Mañana. In: NEIGHBOUR, Ralph W. (Ed.). La Iglesia del Futuro. El Paso, TX: Casa Bautista de Publicaciones, 1983, p. 132.

[6] CRISÓSTOMO, João. Homilias Sobre os Atos dos Apóstolos, Homilia VII.

[7] ARISTIDES, Apologia, cap. 15, apud LOHFINK, Gerhard. Como Jesus Queria as Comunidades? A Dimensão Social da Fé Cristã. São Paulo: Paulinas, 1986, p. 220.

[8] LOHFINK, op. cit., p. 221.

[9] Ibid., p. 202.

[10] “Uma igreja cheia do Espírito é uma igreja neotestamentária, no sentido de que ela estuda o NT e se submete às suas instruções. O Espírito de Deus leva o povo de Deus a se submeter à Palavra de Deus”; cf. STOTT, John R. W. A Mensagem de Atos: Até Os Confins da Terra. Reimp. 2003. São Paulo: ABU, 1994, p. 87. (A Bíblia Fala Hoje). Grifo nosso.

[11] Atribui-se ao escritor e dramaturgo Charles Reade o dito memorável: “Semeie um ato, e você colhe um hábito. Semeie um hábito, e você colhe um caráter. Semeie um caráter, e você colhe um destino”; cf. KD Frases. Frases e Pensamentos de Charles Reade. Disponível em: <https://kdfrases.com/autor/charles-reade>. Acesso em: 23 ago. 2018.

[12] BUTT, Graham. O Planejamento de Aulas Bem-Sucedidas. São Paulo: SBS Special Book Services Livraria, 2006, p. 42. (Série Expansão).

[13] Deus Pai nos abençoa “com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef 1.3). Como afirmei alhures, estas bênçãos são comunicadas a nós pelo Espírito Santo, cumprindo a promessa de Ezequiel: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36.27; cf. 2Co 3.3; Jo 14.16-17; Rm 5.5; 8.14; 1Co 2.10-13; Gl 5.5, 18).



Referências bibliográficas

ADLER, J. Mortimer. Como pensar sobre as grandes ideias. São Paulo: Realizações Editora Ltda., 2013.

BUTT, Graham. O planejamento de aulas bem-sucedidas. São Paulo: SBS Special Book Services Livraria, 2006. (Série Expansão).

CRAIGIE, Peter C. Deuteronômio. São Paulo: Cultura Cristã, 2013.(Comentários do Antigo Testamento). Logos Software.

CRISÓSTOMO, João. Homilias sobre os atos dos apóstolos.

EDUCOLOGY: KNOWLEDGE OF EDUCATION. Disponível em: <http://educology.iu.edu/education.html>. Acesso em: 10 ago. 2019.

HUSTAD, Donald. Jubilate! A música na igreja. São Paulo: Vida Nova, 1986.

KD Frases. Frases e pensamentos de Charles Reade. Disponível em: <https://kdfrases.com/autor/charles-reade>. Acesso em: 23 ago. 2018.

LLOYD-JONES, D. Martyn. Os puritanos: suas origens e seus sucessores. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1993.

LOHFINK, Gerhard. Como Jesus queria as comunidades? A dimensão social da fé cristã. São Paulo: Paulinas, 1986.

MARTIN, Ralph P. Adoração na igreja primitiva. 2. ed. revisada. São Paulo: Vida Nova, 2012.

NEIGHBOUR, Ralph W. (Ed.). La iglesia del futuro. El Paso, TX: Casa Bautista de Publicaciones, 1983.

NOVO CÂNTICO. 16. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, versão em ePub, 2018.

STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: até os confins da terra. Reimp. 2003. São Paulo: ABU, 1994. (A Bíblia Fala Hoje).

VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e consumação. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, v. 1.

VANDENBOS, Gary R. (Org.) Dicionário de psicologia da APA American Psychological Association. Porto Alegre: Artmed, 2010.

Outras publicações

Nenhum comentário até agora. Seja o primeiro a comentar!


Adicionar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *