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Frio, gripe e graça (republicação)

Sinceramente, eu não gosto do período mais frio do ano. Quando eu morava em Brasília, todo inverno me fazia pensar em me mudar para outra cidade, com clima mais favorável.

Em meu primeiro ano de ministério, assustei-me quando, ao chegar nos meses de junho a agosto, a frequência aos cultos caiu visivelmente. Compartilhei minha preocupação com um colega mais experiente que me tranquilizou, falando do esvaziamento sazonal das igrejas naqueles períodos. Em junho, muitas pessoas ficam gripadas. No Distrito Federal e no Noroeste Paulista, julho e agosto são meses de calor, sequidão e problemas respiratórios.

Por que Deus permite essas alterações climáticas tão traumáticas, que afetam o corpo e desanimam a alma? No meu modo de ver, isso acontece para que nos apeguemos à sua graça.

A graça esculpe em nosso interior uma espécie de desencanto com o mundo — aquela convicção de que, por mais bela que seja a criação e por mais abençoada que seja a vida terrena, tudo é fragmentado e tocado pela Queda. Esporadicamente, o conforto é substituído pelo sofrimento; a saúde, pela enfermidade; as fases de energia e disposição, por cansaço e até mesmo depressão. O discípulo enxerga tais fatos como uma comprovação da transitoriedade das coisas. Ele se vê como peregrino numa terra estranha, alguém que caminha sentindo saudades de uma Pátria Celestial, onde o sofrimento já não mais existirá e tudo será perfeito.

Enquanto lutamos pela vida, às vezes nos esquecemos disso. Movemo-nos com base naquilo que podemos tocar e sentir. Imaginamos que a realidade é apenas o que podemos ver. Então nos abrimos às frustrações (as coisas não funcionam sempre como planejamos), ansiedades (queremos alcançar o que não pode ser alcançado) e questionamentos existenciais (será que vale a pena viver?).

A graça nos convida ao descanso. “É meu, somente meu, todo o trabalho. O teu trabalho é descansar em mim”. Esta canção informa sobre a operação da graça em nossas almas cansadas. Lembramo-nos das palavras de Cristo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30). O descanso em Deus exige fé — a fé do semeador que planta a semente e que no estio espera certo de que, no tempo devido, o Senhor enviará chuva e fará germinar os grãos.

Nos tempos de frio e gripe é bom sabermos que estamos encomendados aos cuidados de Deus. Ele cuida de nós, por sua graça.

Por Misael Batista do Nascimento

Me. Educação. D.Min. Pastor da Igreja Presbiteriana de São José do Rio Preto.

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