Instabilidade

Idas e vindas, subidas e descidas. Rompantes de exultação e momentos de grande tristeza. Projetos assumidos e depois abandonados. Compromissos feitos e responsabilidades deixadas de lado. Esses são apenas alguns traços marcantes da existência de quem convive com a instabilidade. Tais pessoas são como lutadores que nunca chegam ao fim do combate, como navios que nunca atracam no porto de destino. Iniciam tudo, mas não terminam nada. Assumem florestas, mas não conseguem cuidar sequer de uma pequena flor. Sua coragem e ânimo parecem enormes em termos de altura, mas não possuem extensão nem profundidade.

Nas igrejas os instáveis assumem tarefas que não executam. São sazonais. Em períodos diversos, dizem para si mesmos que vão levar Deus mais a sério, os cultos mais a sério, a vida espiritual mais a sério, mas recuam sempre, desistem sempre, são vencidos sempre.

A instabilidade revela-se descaradamente nos momentos de culto. É o caso de quem participa de um culto e falta a dois — um rosto ocasional, colado nos bancos, domingo sim, vários domingos não. Às vezes, ela se mostra na falta de pontualidade, numa luta constante contra o relógio.

Pessoas instáveis têm dificuldades com percentagens. Porque não receberam o aumento de 28%, e os juros do cheque especial estão a 11%, e costumeiramente devem do seu salário mais de 80%, não conseguem ser fiéis nos 10% requeridos por Deus em sua Palavra. São inconstantes na entrega dos dízimos e ofertas. Nesse caso, não se trata de uma crise ocasional. O cartão de dizimista do instável — nos últimos dois anos — é cheio de espaços não preenchidos que testificam sua infidelidade.

Pessoas instáveis racionalizam sua improdutividade. Não participam mais porque estão chateadas com o pastor (atual ou passado — talvez de 15 anos atrás, que disse algo do púlpito, em 1983, que as deixou “magoadas”), ou com algum líder, ou com a irmã Gerobolina, que foi à reunião das senhoras vestida com uma roupa c-a-f-o-n-é-r-r-i-ma, ou com a igreja que possui panelinhas demais, ou com as janelas que são muito azuis, ou com o piso que é muito liso, ou com a decoração do berçário, ou então, com nada mesmo — a instabilidade, muitas vezes se manifesta como total indiferença.

A instabilidade gera descrédito. Depois de certo tempo, percebe-se a diferença entre um cristão autêntico que passa por lutas e um indivíduo instável que não deseja levar a sério as exigências do evangelho. A partir de então, tudo o que o instável diz cai em “ouvidos moucos”.

Por último, a pessoa instável ilude a si mesma. Pensa que está na fé quando está nas trevas. Isso porque a salvação gera amadurecimento, profunda transformação existencial, novas prioridades na aplicação do dinheiro, do tempo e da vida. Enfim, salvação gera fidelidade, de modo que os eleitos serão elogiados no Dia do Juízo: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu senhor. E o servo inútil lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 25.23 e 30).

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