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Teologia Pastoral

Luto pastoral

Pastores passam por luto e precisam de tempo e espaço para processá-lo.

Pastores passam por luto, quando os membros de suas igrejas morrem. Isso pode parecer esquisito para alguns, especialmente diante da proposta das profissões de suporte humano, de separar o que acontece no trabalho do que acontece na alma. O fato é que a vida humana não é dividida em compartimentos estanques; o que acontece em uma parte, afeta a outra.

Na prática, pastores sabem que, em razão do impacto da morte, o ofício fúnebre abre oportunidade ímpar para apresentar o evangelho e, de modo geral, aproveitam a ocasião para isso. Também é momento para demonstrar a diferença que faz a fé cristã, quão distinta é a postura daqueles que se despedem de seus queridos consolados pelas promessas do evangelho (pois quando um cristão morre aqui, ele imediatamente nasce no céu; o dia de sua morte é, também, o do seu nascimento na eternidade). Ademais, esta é a hora de, como ministros da comunidade encarnada de Jesus Cristo, os pastores estarem próximos e à disposição daqueles que sofrem.

Mas algo transcorre por detrás, ou melhor, dentro dos pastores, antes, durante e após os ofícios fúnebres. A alma pastoral é sobrecarregada quando uma ovelha do rebanho morre. Em cada cerimônia fúnebre, especialmente de pessoas conhecidas mais de perto, o pastor sente um peso diferenciado. A chegada de um membro à igreja, sua caminhada na igreja e sua morte — tudo isso marca o coração do pastor. Em 2009, John Piper lembrou aos pastores brasileiros que eles não são profissionais, mas sim ministros que servem e sentem, nos termos do evangelho. Além disso, pastores evangélicos não abraçam as doutrinas do Espiritismo ou do Orientalismo, que apregoam a morte como ilusão, ou a minimizam como mera passagem. Para o Cristianismo bíblico, a morte é ruptura dolorosa, que conduziu o Redentor às lágrimas (Jo 11.35). Um pastor é membro de uma família de fé e quando uma pessoa da família parte deste mundo, ele também sente vazio e dor.

Trocando em miúdos, repito, pastores passam por luto. Uma vez que isso é assim, precisam de tempo e espaço para processá-lo. É comum eu terminar um ofício fúnebre e, imediatamente depois, ser exigido para mergulhar em uma providência administrativa, ou litúrgica, ou mesmo de assistência pastoral, mas o fato é que, depois de um culto de despedida de uma pessoa da igreja, minha alma está partida como peças de um quebra-cabeças. Eu preciso de tempo e lugar, apenas para sentir, chorar e me recompor. Aliás, que palavra preciosa! Recompor; “tornar a compor”; “dar nova forma a”. No tempo e lugar do luto, o Espírito Santo dá nova forma a nossos sentimentos e pensamentos. Uma forma cada vez mais parecida com a de Jesus Cristo.

Simples assim. Na caminhada de uma igreja cristã, existe não apenas o luto familiar, ou pessoal, mas também, o luto pastoral.

4 respostas em “Luto pastoral”

Me sinto feliz como ovelha conhecer um pouco mais sobre meu pastor. O Sr. é muitíssimo especial. Que o Espírito Santo opere esse recompor.

Deus É a nossa força que nos acolhe em cada circunstância.
Luto nos faz refletir e pensar no Reino dos céus.
Grande é a missão do Pastor mas em todas Deus Presente.

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