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Aulas sobre Apocalipse

O remetente ilustre [Ap 1.1-20]

No capítulo inicial do Apocalipse João menciona o conteúdo do livro, saúda seus destinatários e relata que estava preso em Patmos. Daí, descreve a visão que teve do próprio Senhor Jesus Cristo glorificado.

Misael Batista do Nascimento. © Permitida a reprodução citando a fonte. Versão em PDF (263 KB).

No capítulo inicial do Apocalipse João menciona o conteúdo do livro, saúda seus destinatários e relata que estava preso em Patmos. Daí, descreve a visão que teve do próprio Senhor Jesus Cristo glorificado.

Tais palavras preparam o terreno para as cartas às igrejas, nos capítulos seguintes. Na verdade, dão o devido peso e urgência a estas últimas, pois quando compreendemos quem é o remetente, nos prontificamos não apenas a lê-las, mas a nos submetermos aos seus escrutínios e orientações.

A revelação e o estímulo

Palavras iniciais – Ap 1.1-3.

1 Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, 2 o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu. 3 Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.

1. O conteúdo do livro é uma “revelação” (apokalypsis), ou seja, vem da parte do próprio Deus, como desvendamento de algo até então oculto. O verbo traduzido como “mostrar” denota o uso da visão. O verbo traduzido como “notificar” (ARA, ARC) ou “tornar conhecida” (NVI) sugere o uso de símbolos (daí “manifestar com sinais”, BJ).[1]

Tal revelação é “de Jesus Cristo, que Deus lhe deu”. O Senhor Jesus é o agente da revelação para João. Ele faz isso como “Deus unigênito, que está no seio do Pai” e revela as coisas concernentes ao Pai (Jo 1.18). Ele próprio, como Redentor, é a figura central do Apocalipse e ponto culminante de toda revelação (cf. Hb 1.1-2; Ap 22.18-19).

A revelação é destinada “aos seus servos”, referindo-se aos seguidores de Jesus Cristo, dando a entender que as doutrinas aqui apresentadas só podem ser entendidas e aplicadas por quem foi agraciado com a bênção da regeneração.[2]

As visões mostram “as coisas que em breve devem acontecer”. João fala sobre coisas que precisam acontecer “depressa”. Alguns eventos da profecia se cumpririam quase que imediatamente. Cristãos da época de João seriam presos e martirizados sob perseguições promovidas pelo poder político, simbolizado pela “besta” que “emerge do mar” (Ap 13.1, 7). E a profecia encontraria cumprimento “urgente” em cada época da história da igreja. Ademais, o povo de Deus hoje deve aguardar a volta de Jesus Cristo para “breve”. Por fim, estas coisas precisam acontecer porque dizem respeito ao que Deus decretou de antemão para a sua própria glória. Deus é o Senhor absoluto da história, movendo todas as coisas para a consumação. Seu propósito jamais será frustrado. Tanto os embates cósmicos, quanto as tribulações reportadas neste livro são divinamente planejadas e controladas (cf. Sl 115.3; Is 46.9-11).

A mensagem sobre a revelação chegou a João através de um anjo: “e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João” (figura 1).

Método de revelação em Ap 1.1
Figura 1. A revelação de Deus até João.

1-2. O termo “anjo” (angelos) significa “mensageiro”. Anjos entregam mensagens de Deus. Daniel, por exemplo, recebeu mensagens por meio de anjos (Dn 10). No Apocalipse, Jesus revela a mensagem e a envia por meio de um anjo, confirmando sua superioridade sobre os anjos (cf. Hb 1.4). A palavra registrada por João é fiel, uma vez que ele “testificou” (ARC) ou “atestou […] tudo o que viu” (v. 2).

3. No v. 3, encontramos a primeira promessa do livro: “Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas”. Os servos de Deus devem ler, ouvir e praticar sua Palavra. As verdades da Bíblia fazem efeito no intelecto, nos afetos e na vontade. Conforme o Espírito Santo aplica a Palavra de Deus em nosso coração, ele nos modifica. Quem desfruta da Escritura como vida e poder transformador é feliz.

Uma saudação e um resumo temático

A saudação de João – Ap 1.4-8.

4 João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono 5 e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra.
Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, 6 e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!
7 Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!
8 Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

4. Os escritos se destinam “às sete igrejas que se encontram na Ásia”. O número sete denota “inteireza”, “completude” ou “perfeição”,[3] ou simplesmente, “essência”, aquilo que corresponde à realidade conforme Deus,[4] indicando que o conteúdo da revelação é destinado às igrejas cristãs de todas as épocas.

As igrejas são saudadas com “graça e paz […] da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono e da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos, e o soberano dos reis da terra” (1.4-5).

Graça é o favor imerecido de Deus, por meio de Jesus Cristo. Por ela somos incluídos e sustentados no pacto. Pela graça nós somos acolhidos e sustentados em nossa caminhada com Deus neste mundo. A graça confirma em nossos corações que somos do Senhor e assegura que, depois de termos sofrido “por um pouco, ele mesmo há de nos aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (1Pe 5.10).

Os que provam da graça recebem, por conseguinte, a paz do Senhor, que é diferente de tudo o que o mundo oferece e que produz nos corações uma íntima segurança (Jo 14.27). O apóstolo Paulo a descreve como uma dádiva que nos aquieta e nos faz confiantes em Deus em meio às dificuldades, de modo que perseveramos com alegria (Fp 4.6-7; Rm 5.1-4; Gl 5.22). De posse dessa paz, enfrentamos as batalhas da vida.

Tanto a graça quanto a paz são concedidas pela Trindade Bendita e aqui, ao invés da menção convencional, Pai, Filho e Espírito Santo, temos Deus Pai, seguido de Deus Espírito Santo e Deus Filho (v. 4-5). Deus Pai é aquele “que é, que era e que há de vir” (v. 4), remontando a Êxodo 3.14: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU […]”. Barclay diz que “os rabinos judeus explicaram que Deus queria dizer: ‘eu era; eu ainda sou; e no futuro eu serei’”.[5] A parte final da sentença, “que há de vir”, pode ser traduzida como o “que vem”[6] ou “que está para chegar”.[7] Dito de outro modo Deus, que é eterno, se importa e intervém na história humana.

O Espírito Santo é descrito em termos de plenitude e perfeição, como “os sete Espíritos que se acham diante do seu trono” (v. 4). Os “sete Espíritos que se acham diante do seu trono” (v. 4) são interpretados de diferentes modos.[8] Kistemaker afirma que “João repete o termo sete espíritos algumas vezes no Apocalipse (3.1; 4.5; 5.6), mas não o explica”.[9]

A partir da sugestão de Lange, de que “os sete Espíritos queimam como lâmpadas […] [tochas] diante do trono”,[10] é plausível vincular a figura dos “sete Espíritos”, de Apocalipse 1.4, com o candelabro de sete lâmpadas, mencionado pelo profeta Zacarias, e as sete hastes do candelabro (menorah) do tabernáculo (Zc 4.2; Êx 25.31-40), sugerindo que tais símbolos apontam para a pessoa do Espírito Santo operando na terra e na igreja. Trata-se do “Espírito Santo, descrito na perfeição sétupla de suas graças em Cristo (3.1; 5.6; Is 11.2). […] Brilhando como luz (4.5) e fluindo como água viva (22.1-2) do Rei para o seu povo”.[11] Tal leitura legitima a tradução “Espírito sétuplo”[12] e combina com o ensino do restante do Novo Testamento. Como nosso “Consolador”, o Espírito Santo aplica em nós a graça e a paz. Ele torna as bênçãos divinas para nosso sustento presentes e potentes (Jo 14.26; 15.26). Nenhuma graça de Deus se torna efetiva em nós à parte do Espírito Santo.

5. Jesus Cristo (Deus Filho) aparece primeiro como “a Fiel Testemunha”, o “profeta máximo; modelo de testemunho da glória de Deus a qualquer custo (2.13; Is 43.10; 55.4; Jo 3.32; 18.37”.[13] Ele obedeceu até o martírio (cf. Fp 2.8). Ele cumpriu a vontade de Deus Pai radicalmente e agora nos convoca a ser radicais em nosso testemunho (sempre vale lembrar que, nestes estudos, radical não equivale a imoderado ou fanático, e sim, conforme a radix do discipulado). Ademais, o Senhor Jesus é “o Primogênito dos mortos”, uma descrição que atualiza Salmos 89.26-29 e tem relaciona com sua ressurreição. Após a cruz, segue-se a vida nova de Deus. Depois de ser tripudiado na crucificação, Jesus foi honrado em sua ressurreição e exaltação (At 2.32-36; Rm 1.3-4). Por fim, ele é “o Soberano dos reis da terra”. Sua obediência culminou em magnificação e ele agora é o “Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Fp 2.9-11; Ap 19.16).

A ordem dos títulos é criteriosa — mártir, ressurreto e soberano — e sugere um padrão para seus seguidores, rejeição e morte, vida no poder da ressurreição e glorificação, tudo pela graça de Deus. Todo cristão é chamado à autonegação e à vida no Espírito. Quem se humilha será exaltado (Lc 9.23-36; Tg 4.10). Fora disso não há discipulado verdadeiro; basta ao discípulo ser como o seu Senhor (Mt 10.24-25; Lc 6.40).

5-6. O texto revela ainda o sentimento e a ação de Cristo para conosco: Ele “nos ama” e, por isso, nos salvou. Éramos separados dele devido aos nossos pecados, mas fomos reaproximados por seu sangue (v. 5). Por graça, fomos constituídos “reino, sacerdotes” do Deus vivo. Restaurados por seu favor, declaramos que a ele pertencem “a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (v. 6).

7. João não apenas descreve o que Cristo fez, mas também o que ele fará. Jesus retornará a esta terra e julgará os que “o traspassaram” (v. 7). As profecias antigas serão cumpridas (Dn 7.13; 12.2-3; Zc 12.10; Mt 26.64; Mc 13.26). Se em Zacarias 12.10 Deus vincula o pranto ao derramamento do “espírito de graça e súplica”, no Apocalipse, os incrédulos verão o Senhor e chorarão, pois não acreditaram nele em ocasião oportuna (esta ocasião, de acordo com Hebreus 4.7, é o dia de “Hoje”).

8. A saudação é selada com uma solene declaração do próprio Deus que reafirma sua eternidade e presença na história, ao se autodesignar o princípio e o fim de todas as coisas, “o Alfa e o Ômega”.

Tais versículos resumem temas do Apocalipse. Deus redime o seu povo mediante o sacrifício de Jesus Cristo. Deus Espírito Santo aplica a graça e a paz da salvação nos eleitos. Deus intervém na história em favor dos seus filhos. Os cristãos recebem autoridade espiritual e sacerdócio. E conhecem Cristo como mártir-testemunha, paradigma para o discipulado radical. Obstáculos surgirão porque Deus Filho também padeceu, mas é possível permanecer firmes sabendo que Jesus Cristo é o soberano que vive, voltará e resolverá o problema do mal de uma vez por todas.

Unidos no sofrimento e na adoração

A adoração do profeta exilado – Ap. 1.9-11.

9 Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
10 Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, 11 dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.

9. Quem escreve o Apocalipse é “João”, nosso “irmão […] e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança”. João se identifica com seus leitores, que estavam sujeitos à perseguição e sofrimento por causa da fé.

O leitor que lida com dificuldades pode saber que esse caminho é comum aos discípulos de Jesus Cristo. Deus escolhe servos sofredores para consolar a outros (2Co 1.4). João menciona o sofrimento não de uma perspectiva teórica, mas como alguém que pagou pessoalmente o preço do testemunho de Jesus. Ele fala com autoridade prática e espiritual.

10. Ele diz que recebeu a revelação “em espírito, no dia do Senhor” (v. 10), uma asserção típica do apocalipsismo, como explica Charlesworth:

A essência do pensamento apocalíptico é a transferência. O indivíduo é transportado, mediante visão ou audição, de um lugar para outro, de uma terra conquistada por pagãos para um mundo — ou tempo — cheio da glória de Deus.[14]

A expressão “em espírito” sugere que o apóstolo estava em adoração, buscando a face de Deus. Observemos o contraste entre os v. 9 e 10. No v. 9, João está preso, no v. 10 ele está “em espírito”, recebendo uma visão do Senhor. O cárcere dos homens não impede a liberdade de Deus. Nenhuma cadeia tem o poder de tirar do cristão a sua liberdade espiritual.

Quanto ao “dia do Senhor”, alguns entendem que João fala do juízo final citado pelos profetas (cf. Am 5.18; Ob 15), mas podemos intuir a expressão como significando o domingo cristão.[15] “O texto não se refere ao eventual regresso do Senhor e o Dia do Juízo, mas ao aparecimento de Jesus a João no primeiro dia da semana — um dia consagrado a Cristo”.[16]

Trocando em miúdos, João buscava a face de Deus no domingo. Não é improvável que ele pensasse nas comunidades cristãs espalhadas pela Ásia, enfrentando perigo e perseguição, também reunidas para adorar. Deus revelou a ele uma palavra que transpôs os muros do claustro e chegou ao coração da igreja resgatada. O Senhor falou com voz majestosa e ordenou que João registrasse por escrito as visões e as enviasse às igrejas (v. 10-11). Ao se voltar para ver quem falava, o apóstolo foi agraciado com a primeira visão.

A visão gloriosa de Jesus Cristo

A visão do Senhor Jesus – Ap. 1.12-20.

12 Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro 13 e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. 14 A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; 15 os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. 16 Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.
17 Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último 18 e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno. 19 Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas.
20 Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.

12-13. Os sete candeeiros (“castiçais”, ARC; “candelabros”, NVI, NAA)[17] representam as sete igrejas (cf. v. 20). A figura “semelhante a filho de homem” (“um filho de pessoa humana”, BFL; “ao Filho do Homem”, ARC) é Jesus Cristo. O fato dele estar “no meio dos candeeiros” implica senhorio sobre as igrejas, bem como cuidado para com elas.

13-16. Notemos ainda a sublimidade de Cristo, expressa na simbologia de sua indumentária de sacerdote e juiz (v. 13). A descrição de sua cabeça e cabelos “brancos como alva lã, como neve”, bem como a menção do “fogo”, no v. 14, remete ao “Ancião de Dias”, o governante e juiz do universo descrito por Daniel 7.9, com a diferença de que, em Daniel, há um trono de “chamas de fogo”, ao passo que em Apocalipse, esta chama está nos próprios olhos do Senhor. Daniel 7.13-14, menciona “um como o Filho do Homem”, que recebe do Ancião de Dias um reino que jamais passará ou será destruído. Na visão de Daniel, o Ancião de Dias e o Filho do Homem são distintos um do outro. No Apocalipse, como Deus vivo e verdadeiro, Jesus Cristo é tanto um como o outro. No v. 15, os “pés semelhantes ao bronze polido” transmitem a ideia de força para esmagar os inimigos;[18] a voz como “de muitas águas” informa que Jesus possui plenitude de glória, tal como antecipado por Ezequiel (Ez 43.2). Sua soberania e poder para julgar, bem como seu esplendor santo[19] são apontados pelas figuras das “sete estrelas” em sua mão direita, da “espada de dois gumes” que sai de sua boca e do fulgor de seu rosto, “como o sol na sua força” (v. 16; cf. 19.15).

17-18. À semelhança de Daniel, João caiu aos pés do Senhor, “como morto”. Foi necessário que Cristo o tocasse com sua mão direita e o fortalecesse com palavras animadoras (cf. Dn 10.8-12, 18).

Essa reação merece consideração, pois atualmente há pessoas que afirmam receber visões e revelações. Algumas relatam êxtases, sonhos e diálogos com anjos, patriarcas, profetas, apóstolos e com o próprio Senhor Jesus Cristo. O problema reside tanto no conteúdo, quanto nas circunstâncias de tais experiências, bem como na atitude dos pretensos profetas diante das mesmas. Descreve-se Cristo conversando com tais pessoas, de maneira por demais casual, despojado de majestade e sem provocar qualquer impacto. As verdadeiras visões e revelações de Deus suscitavam reações profundas e quase que traumáticas nos seres humanos. Moisés caiu por terra e ofereceu adoração quando contemplou a glória de Deus, ainda que parcialmente; ademais, o rosto dele reluziu por dias (Êx 34.29). Isaías foi tomado por senso de esmagamento e ruína, ao contemplar Deus santo em seu trono (Is 6.5). Daniel, como vimos, teve seu espírito alarmado, sua mente perturbada, perdeu totalmente a energia física e até desmaiou por causa das visões (cf. Dn 7.15, 28). Diante de Jesus transfigurado, Pedro, Tiago e João caíram de bruços, foram tomados de medo e ficaram desnorteados (Mt 17.1-8). Paulo foi arrebatado até o “terceiro céu” e o evento foi tão inefável, que ele não conseguiu explicar os detalhes do que ocorreu (2Co 12.2). Tais passagens indicam que não há base bíblica para essas pretensas profecias contemporâneas.

A Bíblia de Estudo de Genebra não exagera quando diz que aqui “Cristo aparece em glória avassaladora”,[20] pois ele se apresenta utilizando uma designação semelhante à de Deus Pai. Se o Pai é “o Alfa e Ômega”, em 1.8, Jesus é “o primeiro e o último”, em 1.17. Ele esteve morto, mas “vive […] pelos séculos dos séculos” e, por isso, tem “as chaves da morte e do inferno” (v. 18).

19-20. Os versos finais funcionam como transição para o setenário das cartas. De acordo com o v. 19, João tem de escrever “as coisas que viste”, especificadas no capítulo 1, bem como “as que são, e as que hão de acontecer depois destas”, mencionadas nos capítulos 2—22.[21]

No v. 20, o próprio Jesus explica o “mistério das sete estrelas” (cf. v. 16), bem como os “sete candeeiros de ouro” (cf. v. 12-13). As primeiras são “os anjos das sete igrejas”. Os últimos são “as sete igrejas”.

Tais “anjos” são os oficiais incumbidos do pastoreio de cada congregação.[22]

Pelo fato de angelos, em 1.1 e em outras passagens de Apocalipse se referir a “mensageiro celestial”, alguns insinuam que o vocábulo tem o mesmo sentido em 1.20 e nas introduções das cartas (2.1, 8, 12, 18; 3.1, 7, 14). Sugere-se, por exemplo, que a expressão “anjos das sete igrejas” descreve o poder celestial existente em cada igreja ou o espírito ou personalidade étnico-ideológica das igrejas locais.[23] Ou ainda, que deve ser entendida de modo literal, cada igreja local tendo o seu “anjo”, com funções de proteção e mediação.[24] Tais interpretações são interessantes por considerar o sentido natural da palavra angelos. No entanto, o fato de Cristo ordenar a João que escreva a tais anjos de modo pessoal, deve descartar quaisquer considerações deles como abstrações. Além disso, a afirmação de que cada igreja na terra é representada por um anjo no céu não possui base bíblica sólida.[25] Alega-se, ainda, que os “anjos da sete igrejas” seriam aqueles que levariam as cartas escritas por João às igrejas,[26] mas a maneira solene como Cristo fala a estes “anjos”, assim como a importância dada a eles — o Senhor os segura em sua “mão direita” — revela que os mesmos tinham proeminência nas igrejas e não eram apenas entregadores de correspondência.

Se as cartas seriam lidas em público e os “anjos” as explicariam ao povo, a possibilidade de espíritos angélicos ministrarem uma palavra pública em assembleia é nula. Ademais, no Apocalipse a palavra “anjo” é usada em duas ocasiões para designar agentes humanos, aqui (Ap 1.20. 2.1—3.22) e na visão do anjo que proclama o evangelho (Ap 14.6-7). O “anjo” que prega o “evangelho eterno” retrata a igreja que prega (cf. Mt 28.18-20; Lc 24.47-48; Rm 10.14, 17).

Ordinariamente, a igreja reconhece que Deus pastoreia o povo através das pessoas divinamente chamadas para o oficialato (Ef 4.11-12; 2Tm 1.8-12; Hb 13.7). Sendo assim, a responsabilidade de governar a igreja pela Palavra não é dada aos espíritos angélicos e sim aos presbíteros docentes e regentes. Tais homens, limitados e imperfeitos, conduzem a congregação se esforçando na luta em unidade pela fé evangélica (At 6.4; 20.28; Fp 1.27-30; 2Tm 4.7-8). Jesus Cristo deu a revelação a João que, por sua vez, chegou aos “anjos” ou oficiais da igreja e, por meio destes, a todo o povo de Deus (figura 2).

A proposta do Apocalipse para o pastoreio da igreja
Figura 2. A proposta do Apocalipse para o pastoreio da igreja.

Se entendermos assim, é possível afirmar que tanto as igrejas quanto seus oficiais estão nas mãos de Jesus Cristo. O cuidado do Redentor alcança os crentes individualmente, bem como os presbíteros de cada congregação.

O discipulado radical acarreta desgastes de toda ordem para os cristãos, mas a liderança espiritual administra preocupações adicionais e está sujeita a tentações. Os líderes são mais exigidos e, por conseguinte, carecem de mais misericórdia (1Co 9.26-27; 2Co 4.7-10; Tg 3.1; 1Pe 5.3). O oficialato gera toda uma carga de lágrimas e agonias secretas (2Co 2.4, 4.1-12, 6.4-10; Gl 4.19). João sabia dessa realidade. Ele sofria o banimento em Patmos por causa de seu testemunho. A visão de Jesus Cristo, no início do Apocalipse, assegura que não há o que temer. Que consolo é saber que o Cristo vivo está no meio da igreja e sustenta seus servos com sua mão de poder! O próprio Redentor os ajuda diuturnamente, para que possam prosseguir e vencer.

Misael Batista do Nascimento. © Permitida a reprodução citando a fonte. Versão em PDF (263 KB).

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Notas

[1] ARA: Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada; ARC: Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Corrigida; NVI: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional; BJ: Bíblia de Jerusalém: Nova Edição, Revista e Ampliada. Impressão 2003. São Paulo: Paulus, 2002.

[2] A regeneração é a transformação do coração do pecador, operada pelo “poder onipotente de Deus”, também chamada de renovação da alma, novo nascimento, primeira ressurreição ou nova vida. Cf. HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 1028.

[3] Para Simon Kistemaker, “em todas as Escrituras, mas especialmente no Apocalipse, sete significa completude”. Cf. KISTEMAKER, Simon. Apocalipse. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2014, p. 25. (Comentário do Novo Testamento). Logos Software. Grifo do autor. Ele argumenta que “o conceito relacionado ao sete é proeminente no Antigo Testamento; a palavra bom ocorre sete vezes em Gênesis 1; Deus criou a semana com sete dias. Sete sacerdotes, que tocavam sete trombetas, tiveram que marchar ao redor de Jericó sete vezes no sétimo dia (Js 6.4). E Daniel fala de sete “setes” (9.25). Cf. KISTEMAKER, op. cit., nota 18. Grifos do autor. David Black e David Dockery ratificam isso, quando escrevem que “em Apocalipse, o número sete (usado para pelo menos sete bênçãos, o grupo de igrejas que recebe o livro; selos no pergaminho; julgamentos das trombeta e taças) significa “integridade”; cf. BLACK, David Alan; DOCKERY, David S. Interpreting the New Testament: Essays on Methods and Issues. Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 2001, p. 466. Logos Software; tradução nossa. De igual modo, HENDRIKSEN, William. Mais Que Vencedores. 3. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2018, p. 57: “Esse número sete indica plenitude, algo completo, perfeito”. Semelhantemente, G. K. Beale: “No AT e em outras partes do Apocalipse “sete” indica figuradamente completude e plenitude”; cf. BEALE, G. K. Brado de Vitória. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 13. E ainda Morris Ashcraft: “O fato de João usar o número sete torna claro que ele queria incluir todas as igrejas, de que estas sete são típicas”; cf. ASHCRAFT, Morris. Apocalipse. In: ALLEN, Clifton J. (Ed.). Comentário Bíblico Broadman: Novo Testamento. 2. ed. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações (JUERP), 1987, v. 12, p. 304. Corsini entende o número sete “como índice de totalidade, completa e fechada em si mesma”; cf. CORSINI, Eugênio. O Apocalipse de São João. São Paulo: Paulinas, 1984, p. 49. (Coleção Grande Comentário Bíblico). Para Osborne, não apenas o número sete, mas também os números quatro, dez e doze sinalizam “a ideia de plenitude ou completude”; cf. OSBORNE, Grant R. Apocalipse. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 19. (Comentário Exegético).

[4] Nesses termos Michael Wilcock entende que o número sete, ao invés de inteireza, representa essência: “apesar das sete igrejas da Ásia representarem a igreja em geral, isso ocorre porque representam não a igreja toda, mas a igreja real”. Para ele, “as sete cartas mostram a igreja como ela é na realidade”; cf. WILCOCK, Michael. A Mensagem do Apocalipse. São Paulo: Aliança Bíblica Universitária, 1986, p. 40-41. (Série A Bíblia Fala Hoje). Grifos nossos.

[5] BARCLAY, William. The Revelation of John. 3. ed. rev. e atualizada. Louisville, KY; London: Westminster John Knox Press, 2004, v. 1, p. 35. (The New Daily Study Bible). Logos Software. Tradução nossa. Cf. BÍBLIA DE ESTUDO HERANÇA REFORMADA. [BEHR]. São Paulo; Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 2018, p. 1837.

[6] LUZ, Waldyr Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 867.

[7] LOURENÇO, Frederico. Bíblia: Novo Testamento: Apóstolos, Epístolas, Apocalipse. [BFL]. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, v. 2, posição 11234 de 12607, edição do Kindle.

[8] Lange cita algumas dessas interpretações e, diferente dos intérpretes reformados atuais, descarta a interpretação trinitária de Apocalipse 1.4-5 e entende os “sete Espíritos” como “sete formas básicas da revelação do Logos ou do Cristo celestial no mundo”; cf. LANGE, John Peter. Revelation. Bellingham, WA: Logos Bible Software, 2008, p. 91. (A Commentary on the Holy Scriptures). Tradução nossa.

[9] KISTEMAKER, op. cit., p. 113.

[10] LANGE, op. cit., loc. cit. Tradução nossa.

[11] BEHR, p. 1837.

[12] KISTEMAKER, op. cit., p. 113. Cf. BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. [BEG2]. 2. ed. São Paulo; Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 2009, p. 1721: “O Espírito Santo é descrito como sete vezes pleno (veja Zc 4.2,6)”.

[13] BEHR, loc. cit.

[14] CHARLESWORTH, James H. Jesus Dentro do Judaísmo: Novas Revelações a Partir de Estimulantes Descobertas Arqueológicas. 2. ed. Rio de janeiro: Imago Editora, 1992, p. 50.

[15] A Bíblia Vida Nova afirma que “na época de ser escrito este Livro […] o domingo já tinha sido consagrado pela igreja como sendo o dia especial de cultuar o Senhor Jesus Cristo”; cf. SHEDD, Russel P. (Ed.). A Bíblia Vida Nova. São Paulo; Brasília: Vida Nova; Sociedade Bíblica do Brasil, 1995, p. 292, nota 1:10. Cf. BEG2, p. 1722: “Domingo, o dia do culto cristão celebrando a ressurreição de Cristo. A celebração do domingo antecipa a celebração da vitória final de Deus (19.1-10)”. A mesma leitura é sugerida pela BEHR, p. 1837.

[16] KISTEMAKER, op. cit., p. 128.

[17] NAA: Bíblia Sagrada, Nova Almeida Atualizada.

[18] ASHCRAFT, op. cit., v. 12, p. 308; HENDRIKSEN, op. cit., p. 73-74; KISTEMAKER, op. cit., p. 133.

[19] Como luz da criação, o Senhor Jesus possui glória inefável (cf. Jo 1.4, 9; 8.12; Mt 17.2).

[20] BEG2, p. 1722.

[21] BEHR, p. 1838.

[22] Esse é o entendimento de Hendriksen (op. cit., p. 75); Kistemaker (op. cit., p. 142-143) e da BEHR, loc. cit.

[23] BEASLEY-MURRAY, G. R. O Apocalipse. In: DAVIDSON, F. (Ed.). O Novo Comentário da Bíblia. 1. ed. Reimp. 1985. São Paulo: Vida Nova, 1963, v. 2, p. 1453; BEASLEY-MURRAY, G. R. Apocalipse. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER, J. A.; WENHAM, G. J. (Ed.). Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 2135-2136; LADD, George. Apocalipse: Introdução e Comentário. 3. ed. São Paulo: Mundo Cristão; Vida Nova, 1984, p. 29. (Série Cultura Bíblica); BEALE, op. cit., p. 47; OSBORNE, op. cit., p. 107-110; VANNI, Hugo. Apocalipse: Uma Assembleia Litúrgica Interpreta a História. São Paulo: Paulinas, 1984, p. 41.

[24] BJ, p. 2143, nota “f”; WILCOCK, op. cit., p. 20.

[25] Osborne (op. cit., p. 108) sugere que há passagens bíblicas que podem ser entendidas como fazendo menção de “anjos guardiões (Sl 34.7; 91.11; Dn 10.13-21; Mt 18.10; At 12.15; Hb 1.14) e das estrelas como representações dos anjos (Jó 38.7; Is 14.12, 13)”. O problema é que tais textos também permitem leituras com conclusões bem diferentes.

[26] Hendriksen (op. cit., loc. cit.), informa que essa é a posição da Bíblia de Scofield, e fornece argumentos contrários a ela. Osborne (op. cit., p. 109) a relaciona a R. L. Thomas. Revelation 1—7: An Exegetical Commentary. Chicago: Moody Press, p. 117-118.

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