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Se chegar a velho

Se chegar a velho,
Usarei longas barbas brancas,
Terei um olhar melancólico.
Se chegar a velho,
Procurarei viver sem sobressaltos,
Destrinçando o passado do futuro.

Olharei a História, como quem olha para um fruto maduro,
Nunca foi tão doce, mas pouco falta para deixar de o ser.

Se chegar a velho,
Quererei ser velho, parecerei um velho.
Se chegar a velho,
Serei lago, serei charco,
Nunca uma torrente, 
pois só as águas calmas beijam as margens com prazer.

Sugarei o sabor a mel das recordações, 
se chegar a velho,
E sereno, quero partir,
Repleto de vida, se chegar a velho.

João Castela Cravo (A Venteira, 19 out. 2005).
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